Safra da laranja cai 20% com cartel, diz associação

29/04/2009

A Associtrus (Associação Brasileira de Citricultores) prevê uma quebra de 20% na safra de laranja deste ano, parte dela por conta da suposta formação de cartel pelas cinco maiores fabricantes de suco de laranja que atuam no Brasil -Cutrale, Citrosuco, Citrovita, Coinbra (Louis Dreyfus) e Bascitrus.

 

Segundo Flávio Viegas, presidente da Associtrus, autora das denúncias que provocaram a abertura das investigações sobre cartel em 2006, a estimativa tem base em relatos dos principais produtores.

 

Os motivos da diminuição seriam, além do clima, a falta de dinheiro para adubação e combate ao greening (um tipo de praga) por parte dos produtores que se dizem vítimas do cartel das "gigantes" do setor.

 

"Apesar dos números nunca serem transparentes, a quebra do ano passado foi de 18% na produção e mais 10% no rendimento industrial, ou seja, 28% no total da cadeia produtiva", disse Viegas.

 

A produção nacional de laranja é de cerca de 400 milhões de caixas, com 40,8 kg cada. Só o Estado de São Paulo é responsável por 300 milhões delas.

 

Segundo a denúncia feita pela associação, cuja investigação foi reaberta neste ano após a criação do Gedec (Grupo Especial de Delitos Econômicos), do Ministério Público, as empresas criaram escalonamentos no preço de compra para selecionar os produtores.

 

Seriam três escalas: a primeira com produtores que as empresas querem que permaneçam no mercado, a segunda com aqueles que pretendem manter por mais algum tempo e a terceira com produtores que as indústrias querem expulsos da citricultura.

 

"Dessa forma, um produtor não tem dinheiro para investir em qualidade e perde até o estímulo. A adubação, que tem de ser feita três vezes por safra, acaba sendo feita uma ou duas", disse o presidente do conselho da Associtrus, Renato Queiroz.

 

A associação se diz vítima desse processo de "seleção de fornecedores". "Temos 1.300 associados, mas em um levantamento rápido, posso dizer que nunca tivemos tanta inadimplência", disse Viegas.

 

Recentemente, a Justiça ordenou a abertura dos documentos apreendidos nas empresas na Operação Fanta, deflagrada em janeiro de 2006, cuja confidencialidade foi mantida por dois anos com base em liminar conquistada pelas empresas junto ao Tribunal Regional Federal de São Paulo.

 

 

 

Fonte: Folha de S. Paulo