Aumento de Custos AmeaÁa a Agricultura Brasileira

14/09/2011
Na agricultura, as tradicionais vantagens do Brasil em rela√ß√£o a outras regi√Ķes do mundo vem se erodindo rapidamente. Em tr√™s anos, o pre√ßo da terra subiu 60%, custos trabalhistas e de m√£o de obra crescem de maneira assustadora e a sua disponibilidade cai, seja pela competi√ß√£o com a constru√ß√£o civil ou outras √°reas que demandam gente, ou pelas bolsas Governamentais que desestimulam o trabalho em algumas regi√Ķes. Os custos de energia el√©trica, do diesel, do transporte ineficiente e caro, os custos de capital recordes, custos de licenciamentos e ambientais e altos e complexos tributos sufocam cada vez mais as margens.

Produtores de frutas relatam que produzir no Peru representa 50% do custo de produ√ß√£o no Brasil. Produtores de cana dizem que seus custos saltaram 40% desde 2005. Na laranja, pomares das ind√ļstrias que tinham custo operacional de pouco mais de R$ 4 por caixa chegaram a R$ 8 em cinco anos. idem para gr√£os e carnes, o Brasil se torna um pa√≠s caro de se produzir.

Os altos pre√ßos internacionais v√™m compensando custos crescentes e o impacto do c√Ęmbio, permitindo que diversas cadeias produtivas apresentem lucro, mas at√© quando esta situa√ß√£o perdurar√°?. De um lado, a demanda mundial de alimentos n√£o mostra qualquer tipo de arrefecimento nos pr√≥ximos anos, mas o risco √© que os competidores do Brasil, estimulados por pre√ßos altos e menores custos de produ√ß√£o, implantar√£o novos projetos em diversos produtos, e n√£o √© dif√≠cil prever que em poucos anos novos e mais fortes concorrentes disputar√£o os mercados. Produtores de a√ß√ļcar de beterraba, de suco de laranja al√©m de outras frutas e de gr√£os se animam e investem em seus pa√≠ses.

Estrat√©gias de redu√ß√£o de custo devem ser planejadas e implementadas. S√£o a√ß√Ķes privadas, mas principalmente, a√ß√Ķes publicas. Entre as privadas, ainda existe uma chance de lipoaspira√ß√£o na agricultura. Metade das propriedades apresenta baixo conte√ļdo tecnol√≥gico, baixa efici√™ncia no uso da terra, s√£o poucas as a√ß√Ķes coletivas entre produtores para melhorar custos e ainda a pr√≥pria gest√£o pode melhorar.

Se nas a√ß√Ķes privadas √© uma lipoaspira√ß√£o, nas p√ļblicas, o Governo precisa √© de uma cirurgia de redu√ß√£o de est√īmago, para perder 30% a 40% do seu peso e alocar melhor seus recursos na sa√ļde, na educa√ß√£o, na infraestrutura, entre outros, com qualidade e reduzir a carga tributaria. Mas n√£o parece ser esta a dire√ß√£o, pois prioridades do dia s√£o a cria√ß√£o de um novo imposto para a sa√ļde e aumento salarial ao Judici√°rio, com ďefeito cascataĒ aos demais poderes.

Com este projeto de curto prazo, mesmo setores com muita sa√ļde, como √© a agricultura, perdem sua competitividade. O Brasil precisa pensar no m√©dio e longo prazos.

MARCOS FAVA NEVES é professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat


Marcos Fava Neves, PhD.
Professor Titular FEA/USP
Professor of Planning and Strategy
FEARP Business School
University of Sao Paulo - Brazil
www.favaneves.org