Produtores atentos a norma de classificação do citros de mesa podem melhorar sua rentabilidade

14/09/2011
A fruta identificada por rótulo, além de trazer o reconhecimento da marca do produtor no mercado, confere mais confiança ao consumido

No final dos anos 60, quando a citricultura começou a tomar força no interior paulista, os produtores priorizavam o excelente aspecto do fruto para ganhar o mercado internacional. Em Bebedouro, SP, na famosa Festa da Laranja eram realizados concursos para escolher os frutos mais bonitos e bem embalados. Porém, não havia nenhuma regulamentação quanto à qualidade dos frutos para o mercado interno brasileiro. E assim persistiu por vários anos.

Para mudar esta realidade e estimular o agricultor a fazer o controle de qualidade de seus frutos, o Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) lançou com o apoio da Coopercitrus e da Nufarm, o “Guia de Normas de Classificação para Citros de Mesa”, no dia 09 de setembro, na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (EECB). O evento contou com a presença de aproximadamente 70 pessoas, entre produtores rurais, técnicos agrícolas e representantes da Cooperativa.

A cerimônia foi aberta pelo diretor vice-presidente da Coopercitrus, João Pedro Matta, que acredita que o agricultor que não seguir as novas normas de padronização do citros perderá mercado. “O controle era muito rigoroso quanto a aparência da fruta, porque era o que exigia o mercado internacional, enquanto que para o mercado interno era completamente livre. Eu vi o folheto e pensei: agora estão pagando a dívida com o público interno, embora seja um programa de adesão livre eu acredito que em pouco tempo a laranja que não estiver enquadrada não vai ter comercialização. Isso chegou em um momento muito oportuno porque o mercado interno vai ser a grande saída para a citricultura. Hoje nós temos uma classe média forte que compra, que tem poder aquisitivo, agora sem qualidade nós não vamos para lado nenhum e isso é um fenômeno no mundo inteiro. Eu acho que esse trabalho feito pela CEAGESP, com o apoio de firmas que entendem dessa necessidade, vai ter uma repercussão muito grande”.

Em sua apresentação, Agostinho Mário Boggio, gerente do DTA (depto. técnico agropecuário) da Coopercitrus, apontou números expressivos na citricultura. Segundo ele, a safra paulista de citros 2010/11, teve um ganho de 17% em relação à safra anterior, com 377, 1 milhões de caixas, sendo destas 324 milhões para o setor industrial e 54 milhões para o consumo in natura. O mercado mundial de suco de laranja de 2003 a 2010 obteve redução de 5,3% no consumo do fruto, perdendo 127 mil toneladas. Os países que apresentaram maior redução no consumo foram: Alemanha (-22,8%), Estados Unidos (-19%), Japão (-18%) e Reino Unido (-2,5%), enquanto que outros países aumentaram seu consumo: Argentina (358%), Indonésia (212,6%), China (99%) e Rússia (63,8%).

Segundo a chefe do Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp de São Paulo, Anita de Souza Dias Gutierrez, a companhia realiza o trabalho de qualidade com diversas frutas e hortaliças desde 1997, com o intuito de desenvolver uma ferramenta de caracterização dos produtos mais transparente para a comercialização. Com os estudos foi constatado que o produtor que se preocupa com o aspecto do fruto, acaba ganhando em produtividade. “Se tem uma grande diferença de valor tanto por tamanho, quanto por qualidade, podendo chegar ao dobro ou triplo do preço no mesmo dia, diferente dos outros setores da agricultura. A soja e o milho, por exemplo, a diferença de valor tem a ver com a distância que elas estão do Porto. No caso de frutas e hortaliças, apresenta no mesmo dia uma diferença de valor por qualidade e por tamanho, se o produtor está atento a esses fatores ele pode alcançar essa diferença de valor. No setor de citros precisa tomar cuidado para não virar uma commodity, um produto sem diferenciação de preço, por isso é necessário investir na qualidade para garantir essa diferença de valor. O produto com bom aspecto acaba sendo vendido mais rápido”.

Sobre o programa

O desenvolvimento de normas de classificação como linguagem de caracterização do produto para uma comercialização transparente e mais justa, é o principal objetivo deste programa de adesão voluntária e auto-regulamentação setorial. O Programa Brasileiro para Modernização da Horticultura surgiu em 1997 por decisão das Câmaras Setoriais de Frutas e de Hortaliças da Secretaria da Agricultura de Abastecimento do Estado de São Paulo. A Ceagesp já disponibilizou normas de classificação para 16 frutas e 13 hortaliças.

A classificação do citros garante a transparência na comercialização do produto, onde é separado em lotes visualmente homogêneos. Os lotes são caracterizados por seu grupo varietal, subgrupo (presença de sementes), classe (tamanho), subclasse (coloração da casca) e categoria (qualidade).


Natália Canevazzi
Jornalista - Depto de Comunicação Coopercitrus