Citricultores perdem muitas laranjas no pomar e safra será menor do que a estimativa do instituto de economia agrícola

06/10/2011
Safra paulista deve ficar abaixo das 377 milhões de caixas previstas, já que a seca intensa, doenças como a “pinta preta” e a lentidão no escoamento das frutas causaram grandes perdas aos produtores.

A produção de laranja em São Paulo está, literalmente, no chão. Uma grande quantidade de frutas caiu e muitas outras estão prestes a despencar das árvores, em conseqüência da seca intensa, pragas e doenças como a “pinta preta” e até por questões econômicas, como a lentidão do fluxo de entrega e processamento das frutas nas indústrias de suco.

Com isso, a estimativa de safra divulgada pelas indústrias através da CitrusBr e pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) não deve se concretizar e a produção do parque citrícola paulista para a safra 2011/2012 deve ficar abaixo das 377 milhões de caixas previstas inicialmente. A redução no número de caixas deve ser divulgada já na próxima revisão da estimativa oficial do IEA, que acontece em meados de outubro.

O problema maior está na região central do Estado, que inclui os municípios de Ibitinga, Itajú, Itápolis, Tabatinga e Taquaritinga, entre outros, e que é a principal área do parque citrícola paulista, aglomerando cerca de 60% da produção de todo o estado.

Nestes municípios, citricultores e donos de barracões de processamento de laranja (paching houses) relatam perdas imensas de frutas das espécies pêra, valência e natal, devido a seca intensa que assolou a região nas últimas semanas. “Em alguns casos, as perdas são acima de 50% da produção. A maior parte da safra das espécies tardias está comprometida, pois muitas frutas não serão aproveitadas”, explica o engenheiro agrônomo Frauzo Ruiz Sanches, doutor em citricultura e presidente do Sindicato Rural de Ibitinga e Tabatinga.

Além das frutas que já estão perdidas nos pomares, existe ainda a perda das frutas colhidas. Algumas indústrias até liberam a colheita de alguns talhões para salvar parte da produção, mas as frutas acabam sendo “refugadas” nas linhas de produção das fábricas de suco, sob a alegação de que as laranjas não estão no ponto adequado para o processamento.

Já entre os frutos aproveitados, o problema é a falta de peso destas laranjas, que por causa da seca perdem água e chegam a ter 50% a menos do peso ideal, diminuindo a produtividade do citricultor.

Outros fatores que influenciam na perda das frutas
Além da seca intensa registrada nas últimas semanas, os citricultores se preocupam também com o período de estiagem que ainda está por vir, afinal, ainda é início de outubro e as chuvas não estão regularizadas. “Não bastasse a seca que não tem previsão para acabar, existe ainda a preocupação das chuvas virem acompanhadas de muito vento, o que pode fazer as frutas que estão nas plantas caírem antes da colheita”, explica Frauzo.

E não somente os problemas climáticos são os responsáveis pela redução da safra. Existem ainda os problemas fitossanitários (pragas e doenças) e a questão econômica (liberação de entrega e processamento das frutas nas indústrias).

Muitos citricultores estavam descapitalizados devido aos baixos preços pagos pela fruta na safra 2010/2011 e não fizeram os tratos adequados nos pomares para evitar pragas e doenças. Assim, doenças que influenciam na produtividade das plantas, como a “pinta preta” se manifestaram com mais intensidade e aceleraram a queda das frutas.

Por fim, a questão econômica também influencia no aproveitamento das frutas, já que os mesmos problemas de seca intensa e doenças, enfrentados pelos citricultores, também atingem as fazendas de laranja das próprias indústrias.

Com isso, na hora de escoar e processar as frutas, os caminhões das fábricas acabam tendo prioridade em relação aos produtores independentes. Logo, a lentidão no fluxo de entrega intensifica os problemas, pois muitas frutas prontas passam do ponto nas árvores e as que são colhidas perdem qualidade, ao aguardarem o andamento das filas de caminhões nos pátios das indústrias, que às vezes chegam a durar três dias.

Impacto das perdas no bolso dos produtores
Fruta no chão é sinônimo de prejuízo para o citricultor, que já tem sua remuneração “espremida” entre custos altos e preços baixos pagos pelas indústrias de suco. O custo de produção da citricultura varia em média entre R$ 12,00 e R$ 13,00 por caixa de 40,8kg. Ou seja, além de não receber por aquela fruta que ficou no chão do pomar, o produtor ainda arca com todo o custo para produzir a laranja, independente do aproveitamento pelo mercado. Assim, o impacto direto da perda das frutas por causa da seca e das pragas ou doenças é alarmante. A situação é pior com as frutas “refugadas” pela indústria, que além do custo de produção, somam despesas de colheita e transporte até as fábricas, onde depois são descartas e devolvidas, gerando também o frete d e retorno.

Para o presidente do Sindicato Rural de Ibitinga e Tabatinga, o cenário pode ficar ainda pior, pois a seca não acabou e novas perdas podem ocorrer. “É muito precoce falarmos em super safra de laranja e dá para assegurar que a estimativa inicial que girava em torno de 377 milhões de caixas não vai se concretizar, porque tem a seca, tem a pinta preta e estes dois fatores, aliados a demora no escoamento da fruta, estão causando muita perda no campo”, conclui.


Informações:
SINDICATO RURAL DE IBITINGA E TABATINGA (SRI)
Assessoria de Comunicação
Tel.: (16) 3342.2435