Do suco para o etanol, via Novo Mercado

16/04/2007
16 de Abril de 2007 - A CTM Citrus, pequena produtora de suco de laranja com sede em Limeira (SP), prepara-se para dar uma virada. Depois de paralisar as atividades do grupo por um ano, o acionista controlador, César Luiz Fernandez, agora quer mudar de ramo. "O mercado de suco de laranja ficou muito concentrado em quatro grandes players. Vimos uma boa oportunidade de migrar para o biodiesel", diz o empresário. De fato, o Brasil, que produz 80% do mercado mundial de suco de laranja, com exportações da ordem de US$ 1,2 bilhão por ano, tem a produção do suco concentrada nas gigantes Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Coimbra. E, mesmo com o aumento 40% dos preços do produto há dois anos, por conta de problemas climáticos na Flórida, maior concorrente do Brasil no setor, a CTM não aguentou o efeito da contínua queda do dólar e a competição com os grandes produtores. Após fechar 2005 com prejuízo de R$ 4,5 milhões, decidiu parar. Com o interesse crescente dos EUA, Japão e Europa por combustíveis renováveis, decidiu mudar de ramo. Embora já listada na Bolsa, a companhia não tem nenhuma liquidez no mercado. Mas, de olho no potencial do mercado de capitais para ajudá-lo na empreitada, o empresário já tomou a primeira medida: anunciou na sexta-feira a mudança no estatuto da CTM, incluindo a conversão de ações preferneciais em ordinárias, em preparação para entrar no Novo Mercado, segmento da Bovespa com rígidas regras de transparência e respeito aos acionistas. "Qualquer ambição futura de uma empresa na Bolsa passa pelo Novo Mercado", afirma. O próximo passo é a mudança do nome da companhia, que passará a se chamar CTM Energia Renovável. Caso o plano seja levado adiante, a empresa precisará realizar uma oferta pública para se enquadrar à regra do Novo Mercado, que exige pelo menos 25% das ações em circulação. Hoje, o percentual da CTM é de apenas 1,4%. Mas segundo Fernandez, ainda não há data planejada para realizar a oferta. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados)