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Os desafios do agronegócio

25/10/2012

17/10/2012

O aumento da demanda de alimentos e energia decorrente do crescimento populacional e da renda, em particular nas economias emergentes, representa uma oportunidade e um enorme desafio para o agronegócio brasileiro.

Se de um lado temos recursos naturais que nos permitem pretender tornar-nos “o celeiro do mundo”, a agropecuária brasileira ressente-se do fato de que o governo brasileiro não tem um plano estratégico que dê suporte a essa pretensão; segundo um ex-ministro da agricultura, não há sequer uma agenda para isto. Aos agricultores falta maior organização e aprimoramento na gestão da atividade agrícola e práticas agropecuárias para garantir um crescimento sustentável e inquestionável.

O descasamento entre a importância econômica, social e ambiental do nosso setor e sua importância política deve ser creditado à falta de organização dos agricultores. A organização dos produtores é peça chave para mostrar o real valor da agricultura. Enquanto os agricultores continuarem “invisíveis” ao governo e submetendo-se aos demais elos da cadeia produtiva, existirá um desequilíbrio de valores. A união de agricultores é a única forma de reivindicar políticas e condições mais justas de distribuição dos ganhos ao longo da cadeia ou de buscar alternativas para defender sua renda.

A agropecuária é uma atividade de capital intensivo, regionalizada, caracterizada pela sazonalidade, dependência do clima, riscos fitossanitários, perecibilidade do produto, volatilidade do mercado, renda variável e incerta- riscos agravados pelo fato de que o produtor não forma seus preços, mas está submetido aos preços dos fornecedores e dos compradores.

As mudanças climáticas, a questão ambiental e social, a falta de infraestrutura, a insegurança jurídica, a carga tributária, a globalização dos mercados, os avanços tecnológicos aumentam os riscos da atividade, tornando-a cada vez mais complexa e exigem uma maior capacitação dos nossos recursos humanos. Algumas das ameaças poderão inclusive ser transformadas em oportunidades através da tecnologia e o empreendedorismo, pois a atividade agropecuária passa a demandar mais conhecimento, informação e serviços.

A agropecuária exige uma maior capacidade gerencial, pois as questões econômicas, sociais e ambientais se tornaram muito mais importantes, aumentaram as incertezas e o planejamento exige uma visão macroeconômica mais abrangente com a inclusão de alternativas para diferentes cenários.

Produção e produtividade não asseguram, portanto, a viabilidade do negócio, pois sem preparo adequado e organização os produtores transferem renda para os oligopólios e carteis que estão antes e depois da porteira. Os novos desafios impõem a substituição do produtor pelo empresário agrícola.

A discussão do novo código florestal deixou evidente a importância da representatividade política. Os embates políticos vão prosseguir e tendem a intensificar-se; questões como o índice de produtividade, venda de terras para estrangeiros, conflitos entre os elos da cadeia exigem maior organização dos produtores que, unidos através de associações e cooperativas, poderão defender seus interesses e sua imagem perante a opinião pública.

Politicas agrícolas que minimizem os riscos e protejam a renda e o patrimônio do produtor também dependem de uma ação coordenada e da canalização do peso político do setor, que deve envolver os níveis municipal, estadual e federal. A agricultura tem sido historicamente pilhada para subsidiar os demais setores, principalmente, o setor agroindustrial. O potencial e a real contribuição da agricultura à segurança alimentar, à matriz energética, e até mesmo ao meio ambiente brasileiros têm sido historicamente desprezados pelas políticas governamentais, enquanto o setor industrial é supervalorizado.

É preciso relembrar que a agropecuária foi fundamental para o êxito do Plano Real: pagou grande parte da dívida externa; transformou o Brasil em diversificado e respeitado exportador; propiciou a redução do custo da cesta básica e gerou poupança para financiar os programas de transferência de renda, que reduziram substancialmente a pobreza no país, conforme estudo publicado pela equipe do Dr. Elizeu Alves, pesquisador da Embrapa. Esses fatos já foram esquecidos pelo governo e nunca chegaram ao conhecimento de grande parcela da população.

Os grandes ganhos obtidos na agricultura, no entanto, estão restritos a cerca de 500 mil propriedades- de um universo de quase cinco milhões de propriedades agrícolas- e foram alcançados graças à tecnologia que em contrapartida concentrou a renda e reduziu o emprego no campo.

Segundo o pesquisador, a solução de mercado para a pobreza no campo é o êxodo rural que viria inchar, ainda mais, os grandes centros urbanos e agravar seus problemas.

A alternativa será o fortalecimento da classe média rural através de políticas agrícolas e geração e difusão de tecnologia dirigidas especificamente para esse segmento, com o objetivo de desconcentrar a renda e gerar bem- estar no campo , uma vez que o microprodutor é atendido por políticas e recursos específicos através do MDA e que o grande produtor tem capacidade para prosseguir sem necessidade de políticas especificas.

Um dos maiores problemas do setor é a questão da renda e da avaliação da lucratividade por parte dos produtores, que deixam de incluir as depreciações, principalmente das culturas permanentes, e o custo de oportunidade da terra, além de trabalhar com margens insuficientes para fazer face aos altos riscos da atividade e da falta de seguros adequados. A consequência é, em muitos casos, a sobre-exploração dos recursos naturais, o crescente endividamento, a perda de patrimônio, a concentração de renda, o desinteresse dos jovens pela agricultura e o êxodo rural.

Assim, o incentivo à organização dos produtores, ao empreendedorismo, o investimento em melhoria dos processos de gestão e a geração e difusão de tecnologias para melhorar a eficiência, a competitividade, as boas práticas agrícolas, a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, permitirão que nos tornemos o CELEIRO DO MUNDO!

Fonte: Flávio Viegas - Presidente da Associtrus


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