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Fitopatologista você sabe o que ele faz?
22 de setembro | 2008
Fitopatologista você sabe o que ele faz? Parte 1 Você sabe o que é ou o que faz um fitopatologista? Apesar do nome estranho o que ele faz não é tão difícil assim de entender, fitopatologia significa aquele que estuda doenças de plantas. Dentro desta grande área existe uma infinidade de especializações geralmente associada a uma pós-graduação (mestrado e ou doutorado), e esta é mais uma área de atuação do Engenheiro Agrônomo. Mas o que são doenças de plantas? As doenças de plantas podem ser conceituadas como: “uma irritação fisiológica contínua, prejudicando as atividades bioquímicas normais de uma planta, e estes sintomas não cessam nem mesmo na ausência do agente causal”. O conceito pode parecer complexo, porém é de fácil compreensão, por exemplo: o consumo de folhas em uma planta por uma formiga saúva ou lagarta causa danos as folha, contudo após a eliminação dos insetos ou agentes causais esta planta volta ao normal. O mesmo pode ser observado com relação a uma chuva de granizo, pois logo após a chuva cessam-se os danos, ou seja, é algo momentâneo, diferente da doença que é um processo contínuo. Deste modo, as doenças são causadas por agente infecciosos tais como: bactérias, fungos (saiba o que são fungos e mais detalhes sobre eles no site da AEAL www.aeal.com.br seção de artigos artigos), vírus, nematóides, protozoários, etc. Podemos resumir então que doenças de plantas são causadas por microrganismos. E os insetos causam o que? Os insetos são classificados agronomicamente como pragas e são estudados por profissionais conhecidos por entomologistas, e os ácaros por não serem insetos e sim artrópodos são estudados por outros profissionais denominados acarologistas. Neste artigo especificamente serão abordadas as doenças de plantas ou seja os Eng. Agrônomos Fitopatologistas. E qual é o motivo para que estudar as doenças de plantas? O principal motivo é o econômico, pois sem este controle das doenças dificilmente existiria produção agrícola em larga escala como temos hoje, e os preços dos alimentos seriam bem maiores do que são hoje. A importância das doenças pode ser ilustrada através alguns exemplos clássicos, aqui mesmo no Brasil na década de 40 foram dizimadas mais de 9 milhões de plantas cítricas enxertadas sobre laranja azeda de um total aproximado de 11 milhões de plantas existentes à época ou seja a nossa citricultura quase foi extinta tudo por causa de um vírus conhecido como tristeza (Closterovírus) transmitido principalmente pelo pulgão preto dos citros (Toxoptera citricida) e que até hoje prejudica a produção citrícola nacional pois impede o uso de porta enxertos bastante interessantes como o da laranja azeda, além de prejudicar toda a produtividade citricola desde seu surgimento. Gerando a necessidade de inúmeras pesquisas para buscar alternativas e soluções para manter a produção citrícola. E quem nunca ouviu falar em ferrugem do cafeeiro, que nada mais é que uma doença fúngica (Hemileia vastatrix) que além de reduzir a área fotossintética do cafeeiro pela formação das pústulas de “ferrugem” sobre as folhas, ocasiona a queda destas causando enormes perdas de produção e custos adicionais aos produtores. Outra doença famosa que afeta nosso dia a dia é o vírus do mosaico do mamoeiro ou “papaya ringspot virus” que é uma das doenças mais devastadoras do mamoeiro, basta observar que o Estado de São Paulo há várias décadas não tem mais cultivo comercial de mamão e quase todo o mamão consumido em nosso Estado é proveniente do Estado da Bahia. Com relação aos nematóides temos o gênero Meloydogine que praticamente eliminou a cafeeicultura da região de Marília/SP e muitas regiões do Paraná e inclusive algumas propriedades na região de Campinas e ainda hoje limita a produção e produtividade nestes locais. O mesmo nematóide ainda afeta as produções de tomate, batata, figo, e demais hortaliças. Um bom exemplo de doença bacteriana é o Cancro Cítrico introduzido no Brasil em 1957 através de borbulhas de tangerina poncã introduzida ilegalmente no país sem passar por processo de quarentena obrigatório (as tangerinas de modo geral são assintomática para o cancro cítrico) no município de Presidente Prudente. E o que parecia ser um grande negócio a introdução de uma nova variedade de citros de casca fácil de ser removida com as mãos e sabor agradável tornou-se algo muito amargo e caro para toda a citricultura nacional. Aparentemente a lição do cancro cítrico foi esquecida e em março de 2004 a citricultura nacional recebeu uma péssima notícia que foi surgimento (ou introdução) do “greening” ou huanglongbing (HBL) no Brasil, o agente causal também é uma “bactéria” (ainda existem estudos classificatórios para a bactéria) até o momento no Brasil foram encontradas 2 diferentes bactérias Candidatus Liberibacter americanus e Candidatus Liberibacter asiaticus a transmissão desta “bactéria” se dá por insetos vetores do tipo cigarrinhas como a Trioza erytreae, que ocorre na África e a Diaphorina citri, de ocorrência na África, Ásia e Américas. Portanto caríssimo leitor jamais transporte sementes ou mudas de outros locais, em especial de outros países sem os devidos cuidados fitossanitários, pois uma semente, uma muda, um solo, uma estaca, uma borbulha ou qualquer material propagativo vegetal por mais inocente que possa parecer pode esconder algo extremamente danoso a toda a nossa agricultura, e seu próprio bolso. E o que aparentemente iria gerar lucro pela introdução de uma nova espécie ou variedade inexistente em nosso País, acaba gerando enormes prejuízos a você produtor ou consumidor e ao nosso país. Engenheiro Agrônomo Everaldo Piccinin é engenheiro agrônomo é mestre e doutor em Fitopatologia pela ESALQ/USP. Presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Limeira – AEAL e inspetor chefe do CREA-SP.
