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Indústria paga menos pela laranja.
02 de dezembro | 2008
Concentração da fruta favoreceu a redução do preço pela caixa
A concentração de oferta e a limitação de compra de laranja extra pela indústria derrubaram o preço da fruta no mercado paulista, o que contraria as expectativas dos produtores. Segundo Margarete Boteon, pesquisadora do Centro de Estuados Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, para os novos negócios, o valor dos contratos, negociados no início da safra, oscilaram entre R$ 8 e R$ 14 a caixa posta na indústria. No dia 31 de outubro, o preço médio da laranja posta na indústria, sem contrato, era de R$ 9,50 a caixa. No dia 24 de novembro, a cotação era de R$ 8,21 a caixa. “Para quem não tem contrato, na indústria, os preços tem recuado em novembro.” A pesquisadora explica que o pico da safra de deslocou neste ano em dois meses, ocorrendo em meados de outubro a novembro. Assim, a concentração de oferta no período dificultou o escoamento da fruta para a indústria. “Os contratos foram vencendo e a indústria apresentou resistência em fazer novos”, afirmou Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus).
Segundo ele, na safra passada , o mercado spot (sem contrato) foi uma boa estratégia e remunerou bem, entretanto, não acontece o mesmo nessa safra, em que se espera uma quebra de 30%. “A remuneração está muito baixa, não cobre nem custos diretos.” Viegas diz ainda que, no começo da safra, a indústria comprou frutas de menor qualidade por preços mais altos e de depois, começou a pagar menos por frutas consideradas melhores. “Isso nos foge à compreensão.”
Diante da dificuldade de escoamento da laranja para a indústria, a oferta no mercado doméstico segue elevada, mas a demanda pela fruta de mesa é insuficiente para absorver os altos volumes produzidos. Informações do Cepea revelam que as fábricas são responsáveis pela compra de 80% da laranja produzida no Estado. Para a pesquisadora, a situação do mercado pode se alterar à medida que terminar o período de pico da safra e as temperaturas se elevarem. “A partir da segunda quinzena de janeiro de 2009 a demanda por laranja no mercado doméstico aquece e a oferta já é mais limitada pelo final de safra.”
Fonte: Diário da Região – Liza Mirella
