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Cana e laranja enfrentam corte de vagas
17 de fevereiro | 2009
Cana e laranja enfrentam corte de vagas 14/02
O desemprego perturba dois pilares do interior de São Paulo. De um lado, o setor de açúcar e álcool liderou o fechamento de vagas da indústria do Estado no fim do ano passado. Em janeiro, a retração prosseguiu. De outro, em cinco anos, o total de postos de trabalho na cadeia da laranja encolheu de 400 mil pessoas para 250 mil, estima um centro de pesquisas de Ribeirão Preto.
O setor sucroalcooleiro costuma demitir muito na virada do ano em razão do encerramento da safra da cana. Mas dezembro deixou um gosto ainda mais amargo.
Das 130 mil dispensas da indústria paulista no último mês do ano passado, 79.248 (61%) ocorreram na cadeia da cana -alta de 28,7% ante dezembro de 2007.
O setor sucroalcooleiro fechou com saldo positivo de 20,8 mil vagas em 2007. Em 2008, houve redução de 4.341, apontou a Fiesp.
Em janeiro, a metodologia da pesquisa mudou. Os dois segmentos em que a cadeia da cana foi incluída se retraíram. O de produtos alimentícios, em 0,8%, ante dezembro. O de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, em 3,3%.
Há dois motivos para esse impacto, diz Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). Primeiro, o avanço da colheita mecanizada. Padua estima que 2008 tenha terminado com 50% da área colhida com máquinas. Em 2007 foram 46%. Em segundo lugar, pesaram os efeitos da crise.
Padua prevê para o próximo mês a retomada do emprego no setor. Algumas usinas vão antecipar a colheita, que costuma começar em maio. As chuvas no segundo semestre do ano passado deixaram “muita cana em pé” (sem ser colhida), que poderá ser aproveitada agora.
Inflexão cítrica
A cana não está só. Com o valor do produto em queda no exterior, a cadeia da laranja passa por um momento de inflexão, como deixou claro o recente fechamento da unidade da Citrosuco em Bebedouro (SP). Foram cortados 208 empregos.
Estudo de campo de 2003 mostrou que a cadeia da laranja empregava 400 mil pessoas. Em 2008, o número deve ter caído para a faixa de 250 mil a 300 mil, estima Frederico Lopes, sócio da Markestrat, centro de pesquisas de Ribeirão Preto.
Se o processamento permanece em torno de 300 milhões de caixas, o total de produtores baixou de 27 mil para 10 mil em cinco anos. Os pomares encolheram de 800 mil para 600 mil hectares.
Folha de São Paulo
Autor: Gitânio Fortes
