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Citricultura fará parte do relatório de crise
09 de julho | 2009
Citricultura será incluída no relatório da Comissão Especial da Crise da Agricultura Mais de duzentos citricultores de São Paulo, liderados pela Associtrus, foram a Brasília cobrar soluções para a crise instalada no campo por conta dos baixos preços pagos pela laranja.
Citricultores paulistas, sergipanos e baianos conseguiram incluir os problemas que afetam o setor produtivo no relatório da Comissão Especial da Crise da Agricultura, que será apresentada nesta quarta-feira (8/7) pelo deputado Abelardo Lupion (DEM/PR), relator da comissão. A reivindicação é fruto da audiência pública realizada ontem (7) a pedido do deputado Jerônimo Reis (DEM/SE). “A inclusão das solicitações dos citricultores neste relatório, inclusive com a importância do estabelecimento de um preço mínimo de comercialização da caixa de laranja e de exportação, é resultado imediato desta audiência. Esperamos que isto gere ações efetivas e imediatas”, observa o vice-presidente da Associtrus, Douglas Kowarick. As questões do relatório da Comissão de Crise da Agricultura serão priorizadas pelo Congresso. “Esperamos que, até o final do ano, os citricultores sejam beneficiados com ações que surgirão a partir do relatório de crise”, diz Lupion.
Mais de duzentos produtores paulistas de diversos municípios citrícolas, liderados pela Associtrus em parceria com sindicatos rurais e prefeituras, acompanharam a audiência e pressionaram os parlamentares a se posicionarem. “Há dois anos eu faço parte da Comissão de Agricultura e posso dizer que esta foi a melhor audiência já realizada. A união dos produtores, dos trabalhadores e da classe política é muito positiva para que o mais rápido possível sejam tomadas as medidas necessárias para salvar um setor que gera milhares de empregos e sustenta diversas famílias no Brasil. O governo precisa olhar para os produtores que sofrem com o descaso das indústrias”, observa Jerônimo Reis.
O presidente da Associtrus acredita que a audiência terá importância significativa, principalmente, pela união dos citricultores dos três principais estados produtores do Brasil: São Paulo, Bahia e Sergipe. “Os problemas dos citricultores são os mesmos em qualquer parte do país, ou seja, o descaso das indústrias e os baixos preços pagos pela laranja. Precisamos de um preço mínimo de comercialização, restabelecer a concorrência impedindo a fixação de políticas comerciais uniformes, limitar a expansão dos pomares das indústrias, fortalecer a organização e o associativismo, criar um sistema de informações que torne o setor mais transparente (Consecitrus) e um Fundo de Marketing para promoção dos benefícios da fruta e conseqüente aumento de consumo interno. A mobilização dos produtores trouxe resultado, com a inclusão do setor no relatório da comissão de crise. Tenho certeza que o caminho é a mobilização e a persistência”, conclui Viegas.
O presidente da audiência, deputado Fábio Souto (PFL/BA) observa a importância da audiência, que oportuniza a exposição dos reais problemas do campo. “Pudemos perceber a gravidade da situação os produtores, com depoimentos que até nos emocionaram. O cartel promovido pelas processadoras é um dos principais agravantes, somado às pragas e ao preço mínimo inexistente no setor. A citricultura precisa ter preços mínimos que remunerem a produção e esta questão será defendida por nós”, diz Fábio Souto
O deputado paulista Mendes Thame (PMDB/SP) que, há anos, acompanha os produtores acredita que, a partir de agora, as questões do setor ganharão mais consistência no governo. “Vocês fizeram com que deputados de diversos segmentos conhecessem a realidade da citricultura e ganharam o respeito e o apoio da Comissão de Agricultura, o que é extremamente importante para que as questões tenham seqüência”.
Desabafo – O depoimento do produtor de Bebedouro, Orestes Padovani, sensibilizou os parlamentares por representar a realidade do citricultor e de milhares de produtores expulsos da atividade nos últimos quinze anos. “Já perdi mais da metade do meu patrimônio em troca do enriquecimento da indústria. É impossível que vocês não possam fazer nada por nós que trabalhamos pelo desenvolvimento e crescimento deste país e que, por tantos anos, construímos a riqueza de São Paulo. Somos a parte mais fraca da cadeia e precisamos que os senhores tomem alguma providência para que a gente continue existindo”.
O produtor e vice-presidente da Associtrus, Douglas Kowarick, também reforçou, em nome da classe, a importância da interferência do governo. “Vocês não podem assistir de braços cruzados a decadência de um setor tão importante para o agronegócio brasileiro. Somos nós, os pequenos e médios produtores, que geramos emprego e dignidade para os municípios citrícolas do Brasil. É muito triste ver o produtor, que sempre trabalhou para criar sua família e para fazer o país crescer, mendigar por auxílio social na porta das prefeituras. Esperamos ações efetivas do governo”, desabafou emocionadamente.
Fonte: Notícias Agrícolas
