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Editorial

Pergunta Inocente.

19 de fevereiro | 2010

Por: Flávio Viegas


 


O USDA publicou, no dia 9 de fevereiro, a revisão mensal da estimativa de safra de laranja da Flórida- a primeira depois das geadas. A produção de laranja foi estimada em 129 milhões de caixas- uma quebra de 21% em relação à safra passada e uma redução de quase 50% em relação à produção de 2003-04, que antecedeu os furacões de 2004 e 2005. Esse nível de produção é igual ao de 2006-07, que elevou os preços da laranja, na Flórida, a patamares superiores a US$15 por caixa, triplicando seu preço e  acompanhando as cotações do suco na bolsa de NY.


É importante lembrar que em 2006-07 a produção brasileira era de 350 milhões de caixas e, hoje, estima-se que não chegará a 300 milhões de caixas, gerando um enorme desequilíbrio entre oferta e demanda, o que vai ocasionar aumento de preços ao consumidor para ajustar a demanda à oferta. A cotação do suco de laranja na bolsa praticamente dobrou nos últimos 12 meses: o seu valor supera US$2000,00 e o suco concentrado já está sendo ofertado por US$2200,00 na Europa.


O NFC brasileiro está sendo mantido a US$600/t na Europa o que equivale a US$ 3600,00 por t de concentrado.


A reação dos preços desmente as insistentes informações da indústria sobre os “altos estoques”, nunca quantificados.


O crescimento das vendas no varejo nos EUA persiste, impulsionado pela redução de margens das indústrias e dos engarrafadores, resultando em redução do preço do suco ao consumidor, apesar do aumento do suco na bolsa.


Assim, ficam mais fortes os fundamentos do mercado de suco, com quebra na produção no Brasil e nos EUA, baixos estoques e demanda em alta. Resta saber quando e quanto a indústria vai pagar pela laranja nas próximas safras.


Há notícias de que os mercadistas estão pagando R$11,00 pela hamlin, R$13,00 pela natal e Valência e acima de R$14,00 pela pêra.


Quem sabe explicar qual a razão pela qual as indústrias não se preocupam em assegurar a matéria-prima para atender a seus clientes, aumentar a sua participação no mercado e até mesmo antecipar-se a um eventual aumento excessivo da matéria-prima?


 

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