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Adolescentes inventam equipamento para colheita de laranja.
06 de julho | 2008
A experiência de um grupo de quatro adolescentes da cidade de Taquarituba, que fica a 300 quilômetros de Campinas, pode se tornar alternativa barata e simples para a colheita da laranja, uma das principais culturas do Estado. Trabalhadores rurais durante o dia, os garotos, que têm entre 15 e 16 anos, estudam à noite e criaram, usando pedaços de cano de PVC, restos de uma bicicleta e um pouco de criatividade, um apetrecho capaz de alcançar até os frutos mais altos, a cerca de três metros do chão, sem a necessidade de escadas, mas também sem tirar empregos, como vem ocorrendo nos últimos 30 anos, com o crescimento da mecanização no campo.
Alunos da Escola Estadual Professor José Aparecido Castelucci, os adolescentes apresentaram sua invenção na 2ª edição do Grande Desafio, promovido pelo Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em meados de junho. A instituição propôs a estudantes, dois meses antes, a criação de um protótipo para melhorar a colheita da laranja. O grupo de Taquarituba foi além: conseguiu sair do projeto e criar um mecanismo já testado nas lavouras. “A gente estava pensando em criar alguma coisa para facilitar nosso trabalho. Aí, veio essa oportunidade e deu certo”, conta Aloísio Antonio Vaz, um dos integrantes do grupo.
O equipamento consiste num cano de PVC, fechado numa das extremidades, que pode armazenar até 20 laranjas. Preso ao corpo do trabalhador por uma alça no pescoço, o grupo de adolescentes usou um freio de bicicleta para movimentar uma peça de metal, na outra extremidade do cano. Em formato de um semicírculo, ela abocanha a fruta e a derruba dentro do PVC. “É uma idéia simples, mas já facilitou muito a nossa vida. A gente não precisa usar mais a escada e o nosso serviço cansa muito menos”, afirma Jonathan Maycon Correia Moreira, outro integrante do grupo.
Até o momento, cinco exemplares da invenção já estão em funcionamento nas lavouras de Taquarituba. “Mas tem muita gente de olho, porque as pessoas têm visto que é uma ótima opção”, diz Aloisio. O preço do mecanismo compensa. Segundo os garotos, o equipamento sai por menos de R$ 20,00, com a vantagem de todos os materiais poderem ser reutilizados. “Na verdade, não compramos nada. Só utilizamos produtos que iam ser jogados fora”, ressalta Jonathan.
Com a invenção, os adolescentes de Taquarituba ganharam uma menção especial durante o Grande Desafio e vão conhecer a fábrica da Jacto, que lançou a primeira colheitadeira de laranja do País, em Pompéia, região do Oeste do Estado. Além disso, seduziram quem estava na exposição dos trabalhos, no Ginásio da Unicamp. O engenheiro agrônomo Paulo Alcântara Martini foi um dos que aprovaram a idéia. “É uma criação muito simples, que facilita o trabalho, mas não elimina os postos de trabalho, como ocorre com a criação de máquinas colheitadeiras”, avalia.
Fonte: Cosmo Online
