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Carta enviada pelo presidente da Associtrus, Flávio Viegas, ao ministro da agricultura, Wagner Rossi.

01 de julho | 2010

São José do Rio Preto, 1º. de julho de 2010


Senhor Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Doutor Wagner Gonçalves Rossi.


Como é de seu conhecimento, a citricultura vem sofrendo enormes perdas em decorrência de uma excessiva concentração e verticalização do setor industrial, o que acarretou a expulsão de mais de vinte mil citricultores e outros tantos sairão do setor nos próximos anos, por não terem tido condição de renovar seus pomares e por terem acumulado enormes dívidas, pois os preços pagos pela indústria não cobriram sequer os desembolsos exigidos pela cultura.


Mesmo com uma eventual recuperação dos preços e com a implantação de um Consecitrus, como o preconizado pela Associtrus, os pomares, depauperados pela incapacidade financeira dos citricultores de assegurar os tratos culturais necessários ao longo dos últimos anos, não terão a produtividade suficiente para assegurar a renda que cobriria as dívidas acumuladas e os investimentos necessários para a renovação dos pomares.


A indústria, que ao longo de todos estes anos se negou a dialogar com o produtor, tem feito um enorme investimento de mídia para criar uma imagem de mudança que não corresponde à realidade.


O “consecitrus”, baseado em informações unilaterais e sem possibilidade de verificação,proposto por ela não tem nada a ver com o Consecitrus proposto pela Associtrus e queremos alertá-lo de que as negociações que estão sendo conduzidas atualmente constituem uma manobra diversionista para conseguir do CADE um TCC que, se aprovado, vai tirar do citricultor todo o poder de negociação.


Preocupa-nos, também, a continuidade do processo de concentração com a fusão anunciada da Citrosuco com a Citrovita e a assimetria de informações no setor que aumenta ainda mais o poder de mercado das indústrias. Causa-nos também enorme preocupação a questão fito-sanitária da citricultura, o avanço do “greening”, da CVC, do cancro cítrico, doenças que, entre outras, ameaçam o futuro da citricultura.


Em particular, preocupa-nos a liberação da importação de laranjas da Argentina, que, além de criar um aumento indesejável da oferta, traz o risco de introduzir a cancrose B na nossa citricultura. Solicitamos ao Senhor Ministro:


• A renegociação das dívidas dos produtores de acordo com a proposta por nós já enviada ao Ministério da Agricultura, cuja cópia vai anexa.


• Financiamento em condições especiais para a renovação dos pomares dos pequenos e médios produtores.


• Atuação política para pressionar a indústria a que, antes de assinar um TCC com o CADE, assine um “TCC” com os citricultores, assegurando o verdadeiro Consecitrus e uma indenização aos produtores.


• Desestímulo à verticalização e à concentração do setor, em particular à fusão proposta entre as indústrias.


• Reorganização com o as autoridades estaduais do sistema de defesa fito-sanitária, evitando a entrada de laranjas, mudas ou sementes de países onde grassam doenças que ainda não foram introduzidas no nosso país.


Estas são, Senhor Ministro, as principais reivindicações de uma grande lista que pretendemos trabalhar em conjunto com o seu Ministério. Esperando contar com seu apoio,


Atenciosamente, Flávio de Carvalho Pinto Viegas Presidente Diretor do DEAGRO da FIESP Membro do COSAG da FIESP Ex-presidente e membro da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Citricultura do MAPA

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