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Cartéis tiram renda da agricultura, diz Mangabeira.

06 de agosto | 2008





‘A Amazônia é um caldeirão de insegurança jurídica. Por isso, uma das prioridades do momento é a regulamentação fundiária da região. Sem resolver esse problema de titularidade das terras nada mais funcionará na Amazônia.’

As afirmações foram feitas por Roberto Mangabeira Unger, ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos, ontem na Fiesp (reúne as indústrias paulistas), em encontro com integrantes do setor agrícola.

Os presentes disseram que gostaram do que ouviram. ‘Se o ministro conseguir colocar em prática o que propõe, realizará o sonho do agronegócio’, avalia o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

Segundo Mangabeira, é preciso fechar a torneira das terras públicas, facilmente disponíveis aos aventureiros e aos devastadores. ‘Enquanto não fecharmos essa torneira, continuará a ser mais fácil e mais eficiente saquear do que produzir na Amazônia florestada.’

Para o ministro, é preciso reorganizar e equipar as instituições responsáveis e simplificar as leis. ‘Nenhum dos países que enfrentaram na história moderna um problema fundiário dessa dimensão conseguiu resolvê-lo sem simplificar as leis sobre a propriedade e sobre a transmissão da propriedade.’

O país precisa, ainda, enfrentar problemas de transporte, insumos e transformação industrial, afirma o ministro. Nos transportes, o problema número um é a busca da saída do Centro-Oeste para o Norte.

No que se refere a insumos, ‘o país precisa superar a nossa absurda dependência das importações de fertilizantes.’ O país não tem de continuar nas mãos do cartel mundial de fertilizantes, diz ele.
Quanto à transformação industrial, o Brasil precisa elevar o grau de agregação de valor, diz Mangabeira. Mas para resolver esses problemas é necessário uma obra institucional, o que implica coordenação estratégica entre o Estado e o produtor. Organizar a comercialização, o extensionismo, a política de preços mínimos, o seguro agrícola e o seguro de renda.

Para Mangabeira, é necessário reorganizar os mercados agrícolas. Na maior parte deles, os produtores brasileiros estão fragmentados, enquanto os compradores e fornecedores são cartelizados. ‘E, por conta dessa cartelização, se apropriam da parte do ‘leão’ dos ganhos da agricultura’.

Não há uma fórmula para o fortalecimento dos produtores nacionais, admite o ministro. Ela pode vir pelo fortalecimento das cooperativas, pelo desenvolvimento de armazenagem de estoques reguladores e por procedimentos antitrustes em favor da competição.

O ministro propõe um regime de concorrência cooperativa, em que produtores possam competir entre si e cooperar ao mesmo tempo, utilizando o conjunto de facilidades jurídicas e de incentivos econômicos. ‘Fazer um mutirão de recursos financeiros, comerciais e tecnológicos, o que facilitaria o acesso à economia de escala.


Fonte: Folha de S.Paulo

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