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Citricultor quer rever contratos

09 de março | 2006

Idéia é sugerir à indústria aumento no valor da caixa de 40,8 kg para pelo menos US$ 7

O dólar desvalorizado e a perspectiva de demanda em alta pela laranja na próxima safra levaram citricultores paulistas a iniciarem um movimento pela renegociação de contratos antigos, fechados com a indústria entre US$ 2 e US$ 3,50 a caixa de 40,8 quilos. Os produtores se reúnem com seus advogados nesta sexta-feira (10) para traçar uma estratégia de negociação, que deve ser ratificada em um encontro previsto para o dia 17, em Limeira (SP).

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, a linha adotada pelos produtores é pedir que a indústria pague ao menos o custo de produção – R$ 15 a caixa, o dobro do valor dos atuais contratos -, que poderá ser convertido ou não na moeda norte-americana. “Com os valores atuais a citricultura é inviável, independentemente do nível de produtividade que os pomares passam ter”, afirmou Viegas.

O presidente da Associtrus procura fugir da postura radical de negociação e diz que os produtores não pretendem impor condições para a renegociação dos contratos. “Se a indústria quer manter a base de fornecedores, ela terá de aceitar conversar em busca de um consenso”, explicou. Entre as estratégias de convencimento utilizadas pelos produtores está o fato de a indústria já ter renegociado contratos com produtores quando a situação econômica era desfavorável a ela.

Em 1999, com a adoção da política de câmbio flutuante, o dólar havia disparado e as processadoras procuraram produtores para que eles reduzissem contratos, fechados à época até em US$ 3,80 a caixa. “A indústria praticamente obrigou o produtor a aceitar uma renegociação. Isto criou um precedente que pretendemos utilizar nas conversas”, explicou Viegas.

Novos contratos

No entanto, apesar de a Associtrus buscar uma renegociação em uma faixa de preço próxima aos US$ 7 a caixa, produtores que têm contratos vencendo estão negociando-os de US$ 4 a US$ 4,50 a caixa, valores insuficientes, de acordo com Viegas.

Já o presidente da Associação Brasileira dos Esportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia, afirmou que não comenta negociações para revisão de contratos, pois elas devem ser feitas entre produtores e as indústrias. No entanto, de acordo com o executivo, a atitude dos produtores ratifica a necessidade da revisáo do sistema de pagamento pela fruta, ou seja, a volta do contrato-padrão, já avaliada pelo governo federal desde o fim de 2005.

O contrato, abolido em 1994, previa o pagamento pela qualidade da fruta e não pela quantidade. “No passado, ambos dividiam os riscos e o sistema vigente à época corrigia qualquer tipo de distorção”, concluiu Garcia.

(Crédito – Gustavo Porto – Suplemento Agrícola)

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