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Citricultores reclamam do preço baixo da fruta

19 de fevereiro | 2009

A indústria paga entre R$ 5 e 7 por caixa de laranja de 40,8 quilos 


 


Os citricultores da região que comercializam laranja temporã estão reclamando do baixo preço pago pela fruta que varia entre R$ 5,00 a R$ 7,00 por caixa padrão de 40,8 quilos para a indústria e entre R$ 8,00 e R$ 10,00 para a laranja de mesa. O valor é quase 60% inferior ao pago no mesmo período no ano passado. A produção de laranja temporã ocorre por causa de floradas tardias. Essas safras “fora de hora” são conhecidas pelos produtores como “louca” e “louquinha”. Segundo o engenheiro agrônomo, Manoel Antonio Vieira, com a mudança climáticas, muitas variedades de laranja estão tendo floradas tardias e produção de laranjas temporã na região. Neste período de entressafra, quando há uma menor oferta da fruta, os preços sobem e a produção citrícola destina-se basicamente a atender o mercado interno de fruta de mesa.


 


Proprietário de citrícola em José Bonifácio, que abastece grande quantidade de supermercados, mercados e feirantes na região, Valdeci Urbano afirmou que o preço da fruta despencou em relação ao ano passado. “Ano passado eu paguei R$ 22,00 pela caixa de pera-rio. Este ano, se a fruta estiver boa, está valendo entre R$ 8,00 e R$ 10,00”. O diretor comercial do pool Citronorte, Martin Jesus Filho, a crise financeira mundial provocou queda no consumo de suco de laranja e nos pagos preços nos Estados Unidos, nos países integrantes da União Europeia e em países da Ásia. “Uma tonelada de suco custava US$ 3 mil e hoje está cotada a US$ 1 mil”. Por esse motivo, as fábricas de suco concentrado de laranja que ainda estão moendo a safra passaram a recusar parte da oferta da fruta oferecida pelos citricultores.


 


A fruta de melhor qualidade que iria para a indústria, agora, é direcionada ao mercado interno o que faz o preço despencar. Urbano disse que a laranja da variedade Natal está sendo co-mercializada na faixa de R$ 5,00. “Algumas indústrias estão pagando R$ 5,00 pela fruta no portão da fábrica o que não cobre a colheita e o custo de produção”, disse Urbano. O citricultor de Neves Paulista, Eliezer Tedeschi contou que há um mês informou-se sobre os valores oferecidos pela caixa de laranja e desistiu de colher a safra temporã. A colheita e o transporte não sairiam por menos de R$ 5,00 por caixa. Ele explicou que, como o pomar está florindo, fazer a colheita poderia derrubar parte da florada e comprometer a próxima safra. “Ia colher dois caminhões de laranja e derrubar cinco”. O citricultor afirmou que os atuais preços em plena entressafra são indicativos do que deve ocorrer na safra 2009/2010.


 


Fonte: Diário da Região – Carlos Eduardo de Souza


 

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