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Citrosuco tira peças da fábrica de Bebedouro
07 de maio | 2009
Vice-presidente da Federação dos Trabalhadores reclama de falta de mobilização na cidade para reabrir a indústria.
Caminhões da Citrosuco estão levando peças da fábrica de Bebedouro para Matão. Desde fevereiro, o processamento de suco foi paralisado e centenas de trabalhadores foram demitidos sob alegação de que falta fruta para a empresa moer.
A fábrica é de propriedade do conglomerado empresarial norte-americano Grupo Fischer, que possui mais três fábricas no Brasil e uma nos Estados Unidos; terminais de suco no Brasil, Estados Unidos, Europa e Japão, e a maior frota mundial de navios especializados no transporte a granel de suco de laranja.
Conforme apurado pela Gazeta, foram transportadas partes do maquinário usado para processamento de suco fresco, novo produto em alta no mercado internacional.
Na terça-feira (5) foram enviadas perguntas para a matriz da Citrosuco, em Matão. A assessoria de imprensa disse que a diretoria não vai se manifestar sobre a retirada do maquinário. Um funcionário da matriz, que não quis se identificar, disse que a empresa resolveu ‘economizar’, desistiu de comprar peças novas para pegar aquelas que estariam sem uso em Bebedouro.
Não posso fazer nada – O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação, José Antônio Janota, confirmou a saída das peças. “No dia 30 de abril, estive na fábrica para conferir o que tinha saído de Bebedouro”.
Segundo o sindicalista, o funcionário encarregado da indústria, identificado apenas como Jéferson, explicou que apenas em Bebedouro tinha uma peça.
Questionado sobre quais as medidas serão tomadas pelo sindicato, Janota alega que não pode, judicialmente, impedir a transferência de maquinário. “Nós poderíamos fazer isto apenas se a fábrica estivesse em fase de falência”.
Janota diz que se souber que mais máquinas estão sendo levadas da cidade, procurará a direção da empresa para cobrar explicações.
Não está prevista nenhuma manifestação pela entidade em relação à luta pela reabertura da fábrica. “Eles abrem a empresa se quiserem”. Janota diz estar mobilizado na negociação salarial dos trabalhadores do setor canavieiro.
O vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação, Artur Bueno, aguardava na tarde de quarta-feira (6), a ida de Janota a São Paulo, onde se reuniram representantes das 60 entidades filiadas, para discutir a crise do emprego no setor citricola, “não veio ninguém e nem ligou para explicar o que aconteceu”.
Líder do movimento pela reabertura da fábrica da Citrosuco em Limeira fechada em 1997, Bueno diz que os sindicalistas fiscalizaram a saída dos equipamentos com escala de vigília, “quando tiraram uma máquina extratora de suco, tiveram que negociar com a gente”.
Para Bueno não há mobilização sindical e da sociedade civil em Bebedouro, o que restringe as chances de reabertura da fábrica, “já conseguimos apoio do ministro do Trabalho, Carlos Luppi, mas o povo de Bebedouro tem que fazer pressão. Estas coisas não se resolvem de cima para baixo”.
Vice-presidente diz que há forma legal de impedir judicialmente a transferência de equipamentos de Bebedouro para Matão, “tem que entrar na Justiça Comum para fazer esta briga”, diz Bueno.
Fonte: Gazeta de Bebedouro
