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Consecitrus tem reviravolta com veto da Faesp a João Sampaio

18 de abril | 2012

18/04/2012 14:26

A criação do Consecitrus, conselho entre citricultores e a indústria de suco de laranja para estabelecer políticas e diretrizes para a cadeia produtiva de citros, sofreu um reviravolta entre a tarde e a noite de ontem (17), com a o adiamento da assinatura de seu estatuto de criação.

A medida foi tomada após o veto da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) à indicação do ex-secretário de Agricultura paulista João Sampaio como superintendente do Consecitrus e pode por fim às negociações de criação do conselho, após dois anos.

Depois de ficar sozinha no Consecitrus como representante dos produtores, com as saídas da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e da Associação Brasileira de Citricultores (SRB), a Faesp sustentou que o fato de Sampaio ser ligado à SRB seria incompatível com o comando executivo do conselho.

Momentos antes de assinar o documento, na tarde de ontem, o presidente da Faesp, Fábio Meirelles, expôs as divergências a Sampaio em uma conversa particular e disse que o fato de o ex-secretário já ter presidido a SRB o impedia de assumir o Consecitrus. “Ali, acabou para mim”, resumiu Sampaio, há pouco, em uma rápida conversa por telefone com a Agência Estado.

Após o encontro privado, Meirelles e Sampaio se reuniram com, entre outros, os empresários José Luiz Cutrale, presidente da Sucocítrico Cutrale, e Cláudio Ermírio de Mores, acionista e principal executivo da Citrovita/Citrosuco. O encontro deveria culminar com a assinatura do estatuto do Consecitrus, mas quando Meirelles expôs o veto, Sampaio levantou da mesa e deixou a reunião.

Moraes, da Citrovita/Citrosuco, disse que também não assinaria o estatuto se Sampaio, que intermediou todas as negociações, não dirigisse o Consecitrus. Após Sampaio deixar a reunião, Cutrale e Moraes passaram, então, cerca de três horas tentando convencer Meirelles a rever a decisão. O presidente da Faesp defendia a indicação de Thyrso Meirelles, seu filho, para a superintendência do Consecitrus.

Sem sucesso, os empresários foram a um restaurante, voltaram a se reunir com Sampaio para tentar salvar o Consecitrus, com os possíveis retornos da SRB e até mesmo a entrada da Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus) para representarem os produtores.

Durante a conversa, Meirelles ligou para Cutrale, disse que estava revendo seu veto a Sampaio e que iria o restaurante para, enfim, selarem a paz e fecharem o acordo.

Sampaio, então, expôs que não haveria clima para sua presença no Consecitrus após o veto claro de Meirelles e que só aceitaria permanecer no conselho, e comandá-lo, com a volta da SRB, a presença da Coopercitrus e até mesmo com um possível retorno da Associtrus, como representantes dos produtores. Procurado pela Agência Estado, Meirelles ainda não se pronunciou.

Como a presença de Sampaio passou a ser uma exigência das indústrias, os negociadores tentam, ainda nesta quarta-feira, reverter a crise no Consecitrus, criada antes mesmo de o conselho ser efetivado. Caso consigam e o estatuto seja assinado, o documento será encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para avaliação.

A indústria de suco de laranja considera que o sinal verde do Cade para o Consecitrus poderia facilitar uma posição futura do órgão de defesa da concorrência nos diversos processos de concentração econômica no setor de produção de suco de laranja que avalia.


AGÊNCIA ESTADO

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