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Curupira e Carlos Slim
08 de dezembro | 2008
por – PAULO SADER
Em CNTP – condições normais de temperatura e pressão, o fluxo de laranja para o mercado interno e a alta do preço são reflexos do aumento da renda das famílias no início dos meses, quando se pagam os salários. Também era comum a subida dos preços no fim da safra, quando a indústria já tinha definida sua média de preço pago na estação e podia fazer uma graça com algum produtor livre de contrato. Ainda subiam por causa do calor do verão e das férias, que aumentam o consumo de bebidas refrescantes, naturais e saudáveis.
Apesar do IEA – Instituto de Economia Agrícola ter acusado o incremento de 2,54% no valor da laranja de mesa em novembro, na roça não percebi este aumento e, talvez, as CNTP não sejam mais tão normais. Neste 2008 as coisas ficaram do avesso e, tal como Curupiras, quando andamos para frente, vimos as pegadas “indo para trás”.
As previsões para o primeiro trimestre de 2009 são de queda na massa salarial por conta da eventual redução no nível de emprego. Se em 2009, a indústria, que vive do ora combalido mercado externo, reduzir sua demanda e não der conta de absorver nossa já reduzida produção, precisaremos apelar mais fortemente ao mercado interno. Aí, então, é melhor torcer para que as políticas do Presidente Lula e do Banco Central de reforço do consumo doméstico, estimulando a compra da “casinha, do carro, do primeiro sutiã”, sejam eficazes e ainda sobre algum dinheiro para a compra de mais um suquinho de laranja.
Há analistas que crêem numa melhora dos preços em janeiro/09, na medida em que as indústrias tenham mais interesse na laranja que sobra, dependendo da quebra da safra paulista, do comportamento do suco no mercado internacional e do dólar.
Mas é bem possível que os preços do nosso produto não atinjam os patamares aos quais ficamos habituados. Sendo assim, por via das dúvidas, é melhor seguir os conselhos que Carlos Slim, o segundo homem mais rico do mundo, deu, numa carta, a seus empregados e a quem tiver ouvidos para ouvir: baixe os gastos; seja mais eficiente; reduza as dividas; cuide dos ativos da empresa; venda mais; tenha dinheiro em caixa; controle os impulsos de gasto; mantenha-se saudável e alerte a família, para comprometer a todos no esforço comum.
Algumas destas atitudes já vimos destacando, aqui no Agroblog, desde o início das nossas conversas. Conquanto não sejam novidades, não as aplicamos com a obsessão que convém para o sucesso. Ainda é tempo! Ressalvando a necessidade de produzir mais e melhor justamente quando o mercado desdenha nosso produto. Entre um bom produto e um de qualidade inferior, adivinha qual será valorizado pelo cliente, seja ele a dona de casa, seja a indústria de suco? Adivinha qual opção te faz andar como Curupira?
Fonte: http://www.agroblog.com.br
