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Darwin, seleção natural e citricultura.
19 de fevereiro | 2009
No post passado a tônica era a urucubaca por que passou o setor numa semana cuja sexta feira era dia 13. Por isto, não me referi ao bicentenário do nascimento de Charles Darwin, de “A Origem das Espécies”, cuja teoria da evolução tem como fio condutor a seleção natural de características transmitidas, hereditariamente. Tais características são favoráveis à sobrevivência do indivíduo e perpetuação da espécie.
O dia 13, sexta, é um fato episódico e isolado. Os acontecimentos na citricultura, não são. Estão encadeados numa sequência que se desenrola há tempos, acompanhando a lógica do desenvolvimento dos mercados e do sistema capitalista. Na evolução e na seleção dos mais aptos, como descrito por Darwin, está o eventual, ainda que mal comparado, paralelismo, nem que seja para mero estímulo ao debate, entre a teoria e a realidade da citricultura.
Pelo lado da indústria vimos o surgimento de várias unidades e o posterior desaparecimento de alguns espécimes, o que resultou na concentração do setor. Concentração exagerada para os interesses dos produtores, mas conforme o mecanismo de seleção natural. Novas alterações do ambiente fizeram com que as empresas restantes se modificassem criando e aprimorando novos produtos, como o NFC, o pellet, óleos, e estabelecessem uma estreita relação com outras entidades empresariais capazes de distribuir com mais eficiência seus produtos, buscassem novas e mais baratas fontes de energia, investissem em logística e transporte para atender às exigências do consumidor.
Já os citricultores tiveram de mudar os tratos culturais, adaptar-se ao excesso de pragas e doenças na lavoura, adensar pomares, migrar com a cultura para outras regiões, fazer o caminho inverso e incluir entre suas habilidades a expertise da irrigação, sentir a constante pressão do sucesso de outras culturas e a falta dos que ficaram no meio do caminho. Enfrentaram o dólar que balizava os preços de contratos de longo prazo e desvalorizou-se, depois subiu quando os contratos já se firmavam em reais para uma única safra.
Quais são as características que, aplicadas à espécie Citricultoris paulistus, garantirão sua adaptação ao ambiente mais diferente e agressivo que se avizinha, de modo que encontremos a sobrevivência do negócio, livrando-nos da extinção? Há, pela frente, sinais de muitas e rápidas modificações como a recuperação do setor canavieiro para um novo ciclo de tentação para nós. A nova safra de laranja tardia, multifloradas, cara! Produtores sem contrato para a safra 2009/10. Crise mundial. Falta de crédito para produtores descapitalizados que dependerão, para conduzir os pomares, da indústria como fonte de financiamento, antecipando parte do preço de venda.
A evolução e perpetuação da espécie por novas gerações depende da flexibilidade e adaptabilidade da atual. Estas características são potencializadas pela quantidade e qualidade de informações disponíveis e convertidas em ações efetivas. É por isso que devemos estar mais juntos, inclusive aqui no Agroblog, expondo e ouvindo as opiniões mais diversas.
A semana começou com o preço da laranja nos portões das indústrias processadoras a R$5,00/cx de 40,8 kg. A fruta de mercado não teve melhora e o preço ficou em torno dos R$9,00 a caixa na árvore.
Para constar, em Nova Iorque, no dia 17/02 o contrato de suco mais ativo, para março, fechou no menor preço desde agosto de 2004, a 64,6 cents de dólar, por causa do agravamento da recessão e suas perspectivas ruins.
Foi marcada para sexta, dia 20/02, na Citrosuco de Bebedouro, manifestação pela sua permanência na cidade, com presença de funcionários demitidos, lideranças políticas, sindicais e da Associtrus.
Paulo Sader
Fonte: www.agroblog.com.br
