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Demanda e questões sanitárias mudam mapa da citricultura

12 de dezembro | 2006

Demanda e questões sanitárias mudam mapa da citricultura
Publicado em 06/12/2006

O mapa da cultura da laranja no Brasil está prestes a mudar. Em vez de uma atividade tipicamente paulista, a produção de laranja e de suco tende a se tornar nacional, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia. A presença de doenças e pragas, que arrasam pomares na região norte do Estado, já não é de hoje que vinham influenciando os citricultores a erradicar seus pomares mais debilitados e, em muitos casos, a mudar-se para o sul e o sudeste de São Paulo. Além disso, diz Ademerval, o elevado potencial de produção em outras regiões do País estimula parcerias para a produção local.
As perspectivas de bons resultados financeiros, associadas à necessidade de expansão da produção de laranja e de suco faz com que as indústrias paulistas busquem parcerias com processadoras de outros Estados. Ademerval diz que indústrias paulistas já negociaram o fornecimento de suco com pequenas indústrias do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de Pernambuco.
O presidente da Abecitrus vê também possibilidade de a citricultura se expandir na região de Petrolina (PE), no Vale do São Francisco. Ali a fruticultura irrigada ganha dimensões expressivas, incentivada pelas exportações de manga e melão e a industrialização do coco, entre outros. A produção de laranja ainda é experimental, com pesquisas de campo realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa). “Os resultados são incipientes para as questões sanitárias.”
A expansão da citricultura no Brasil se deve à perspectiva do aumento da demanda internacional. Segundo Ademerval, nos últimos cinco anos o mercado mundial de suco de laranja cresceu 13%. Desse total, 75% ocorreu em países da Ásia, especialmente a China. Europa e Oriente Médio foram responsáveis pelo crescimento remanescente.
A produção mundial também deve crescer. Há países plantando laranja e com planos para chegar à auto-suficiência e até concorrer com o Brasil nos demais mercados. A China pretende produzir 1,5 milhão de toneladas de suco até 2015. A meta é atender a demanda interna, mas Ademerval disse que essa também era a proposta da China para a produção de suco de maçã, o que não ocorreu. Aquele país domina hoje 60% do mercado internacional desse suco, contribuindo para uma grande transformação do mercado externo.

Autor: Gazeta Mercantil
Crédito: 06.12.06

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