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24 de junho | 2008
Laranja dá nova perspectiva ao agronegócio do Paraná.
O agronegócio deve dar um grande salto em desenvolvimento no Noroeste do Paraná, tendo Cruzeiro do Oeste como base. Um projeto arrojado será lançado na próxima semana e pode representar, no médio prazo, a solução para a falta de empregos no setor rural quando a queima da palha de cana-de-açúcar for definitivamente proibida. A ameaça de desemprego para milhares de trabalhadores, com o fim da colheita manual de cana, encontra esperança na citricultura, que começa com força no município.Na próxima sexta-feira, às 15h30, a Fazenda Urupês receberá, em Cruzeiro do Oeste, a visita do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, do secretário da Agricultura do Paraná, Valter Bianchini, e do vice-governador Orlando Pessuti para o lançamento do projeto “Laranja – uma visão de futuro”. A meta é arrojada: produzir 5 milhões de caixas de laranja por ano e a instalar uma indústria de sucos, para esmagar laranjas e agregar valor à produção local e regional.O primeiro passo foi dado com a criação da Brascitros Agroindustrial, uma sociedade anônima que vai plantar 510 mil pés de laranja apenas na Fazenda Urupês – o maior cultivo em uma única propriedade, em todo o Estado. O vice-prefeito de Cruzeiro do Oeste, empresário Valter Rocha, recebeu a reportagem do Ilustrado esta semana e apresentou detalhes do projeto. Segundo ele, mais de 90 mil mudas já foram plantadas na fazenda e a expectativa de colheita da primeira safra é de três anos e meio.“Com este projeto, vamos abrir em Cruzeiro do Oeste o terceiro pólo de produção de sucos do Paraná. O primeiro é o de Paranavaí e o segundo está em Rolândia, no Norte do Estado”, afirmou Rocha. Através da Brascitros, onde o vice-prefeito tem sociedade, a meta é arrendar grandes propriedades e atrair fazendeiros para plantar dois mil alqueires de laranja, no município e na região.“O projeto vai expor a viabilidade e o retorno da produção de citros no solo arenito caiuá, que conta com o clima ideal, bom índice de chuvas e solo muito propício, com o cuidado devido”, afirmou. Com 2 mil alqueires plantados, será possível produzir 5 milhões de caixas/ ano, o que viabiliza a instalação de uma indústria de esmagamento para produção de sucos, orçada em R$ 12 milhões.O projeto envolve outras cifras milionárias. Somente na Fazenda Urupês, a Brascitros planeja investir R$ 30 milhões nos próximos seis anos. As mudas são comercializadas ao custo unitário de R$ 4,50 e foram adquiridas em um viveiro de Paranavaí, que pertence a um dos sócios da agroindustrial. “Plantamos as variedades pêra, iapar, valência e folha murcha. Com essa diversidade de tipos, será possível colher durante 9 ou 10 meses no ano”, informou Rocha.Isso significa geração de empregos consistente. A fazenda conta com cerca de 30 funcionários fixos e, quando iniciar a colheita, vai empregar de 200 a 300 trabalhadores. “A média anual somente nesta propriedade será de 200 empregos anuais”, reforçou o empresário. A expectativa de produção é de 1 milhão 300 mil caixas por ano. “Em seis anos planejamos ter produção suficiente em Cruzeiro do Oeste e região para instalar a indústria”, prevê.Enquanto a indústria não estiver instalada, a Brascitros vai pagar para indústrias de Paranavaí esmagarem a produção, e a empresa de Cruzeiro do Oeste fará a comercialização do suco.Projeto de longo alcance Além do ministro e do secretário da Agricultura do Paraná, o lançamento do projeto terá presença de prefeitos de municípios em um raio de 70 quilômetros de Cruzeiro do Oeste, além de secretários municipais de Agricultura, técnicos e agrônomos da Emater e Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab) nas cidades que integram a Associação dos Municípios Entre Rios (Amerios).Com tradição de muitos anos no ramo do leite (Laticínios Latco e Tampico), o empresário Valter Rocha se encantou pela citricultura. Em contato com empresários do ramo, resolveu unir um grupo de investidores e apostar no plantio de laranja. “Arrendamos a fazenda por 20 anos, adquirimos nove tratores com implementos, uma pá carregadeira, insumos e mudas, e instalamos a infra-estrutura necessária. Agora é trabalhar para depois colher os resultados”, ponderou.Além de Rocha (Latco e Tampico), a Brascitros tem como sócios os empresários Osvaldo Farinazzo Medeiros, de Cruzeiro do Oeste, José Maria Abujamra (Mabu Hotéis, Curitiba, e pecuarista em Cruzeiro do Oeste); de Maringá, o ex-deputado Divaniz Braz Palma (Hotéis Bristol), Ciliomar Tortola (Frangos Canção) e o empresário Rodrigo Vito Bertocco; Sidinei Donizete, de Jaguapitã (Jaguafrangos); e de Paranavaí, Mario Camargo (Mister Frangos) e José Gilberto Pratinha (Viveiro de Mudas Pratinha).Associação de produtores Outra ação do vice-prefeito Valter Rocha, que também é secretário municipal de Indústria e Comércio e coordenador do Programa Pró-Gerar – que prioriza a geração de emprego e renda –, é a estruturação da Associação dos Produtores de Laranja de Cruzeiro do Oeste. Criada há cerca de um ano, a entidade congrega cerca de 30 produtores que plantam até 40 mil pés de laranja em suas propriedades. “Além de orientação e treinamento, a prefeitura subsidia a contratação de um agrônomo para acompanhar a cultura nessas propriedades”, disse Rocha.Cerca de 15 produtores da associação já estão plantando citros. Até o ano passado, Cruzeiro do Oeste contava com cerca de 27 mil pés de laranja. Agora já são mais de 90 mil e até fevereiro de 2009 haverá 510 mil pés só na Fazenda Urupês. “Nos próximos anos, a citricultura vai absorver com segurança a mão de obra que será dispensada pelas usinas de álcool e açúcar, e esse é um dos grandes objetivos desse programa – além de agregar valor à produção, tornar as propriedades mais rentáveis e trazer o desenvolvimento para Cruzeiro do Oeste e região”, completou o vice-prefeito Valter Rocha.
Fonte: Umuarama Ilustrado
