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Greening pode acabar com a citricultura em curto prazo
29 de maio | 2007
Bové: greening pode acabar com a citricultura em curto prazo
Fernanda Manécolo
A falta de uma inspeção eficaz no combate à greening pode extinguir a citricultura paulista em curto prazo. O alerta é de Joseph Bové, pesquisador francês especialista em laranja que esteve ontem no Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) para expor a situação dos pomares da região, ameaçados pela doença, uma das piores que já acometeu a cultura de laranja. Segundo ele, o setor precisa se mobilizar iniciando imediatamente uma força tarefa para inspecionar e erradicar as plantas doentes. Bové, que passou os últimos meses estudando a evolução da greening, aponta um aumento considerável nos cítricos da região. “A doença é grave e está se alastrando drasticamente. É preciso haver investimentos urgentes na erradicação dos pomares”, enfatiza Bové.
O pesquisador acredita que o Fundecitrus é hoje a entidade mais capacitada para fazer este trabalho de inspeção. “Apesar de legalmente a responsabilidade ser do citricultor, se a erradicação continuar vagarosa, do jeito que está, o setor terá surpresas desagradáveis em breve. Estamos falando de um colapso total na citricultura.”
De acordo com a Instrução Normativa nº 32 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o produtor é o responsável pelas inspeções de greening em seu pomar de citros.
Investimento
Segundo o professor Bové, seria necessário o repasse de no mínimo R$ 30 milhões ao Fundecitrus. Esse dinheiro teria que ser empregado na contratação de pelo menos 1,5 mil pessoas, principalmente, inspetores. “Para um setor tão rico e promissor, esta quantia em dinheiro é irrisória, ainda mais considerando as conseqüências da erradicação ineficaz”, analisa. “São recursos que poderiam vir tanto do Governo Federal, que precisa se atentar mais à doença, quanto da própria indústria, que tem grande interesse na questão sanitária dos pomares”, enfatiza o professor.
Bové se diz pessimista em relação às condições levantadas nos últimos meses nas fazendas de cítricos. Ele relembra que, em 2004, quando os primeiros focos da doença foram diagnosticados no Estado, o Fundecitrus, com o apoio de alguns citricultores, fizeram um trabalho eficaz de controle, mas a doença se alastrou, acabou o dinheiro que o Fundecitrus tinha para as inspeções e “atualmente muitos citricultores fazem de conta que a doença não existe. Muitos deles, por falta de conhecimento”. “Para controlar a greening só há um caminho: erradicar a planta. E isso não está sendo feito”, adverte.
Osmar Bergamaschi, diretor do Fundecitrus afirma que a entidade tem capacidade técnica e política para combater a doença, mas faltam recursos.
Fiscalização
A fiscalização de apenas alguns pomares é ineficaz, segundo o professor Bové. Ele reafirma que, para se obter sucesso na erradiação da greening, é preciso inspecionar pequenos, médios e grandes pomares. “Além disso, a freqüência das inspeções também tem que ser maior, porque, se hoje uma planta está livre da doença, amanhã ela pode estar contaminada”, acrescenta.
A greening é uma doença de difícil controle. O agente causal é uma bactéria e a transmissão ocorre através de um inseto. Não existe nenhuma variedade de copa ou porta-enxerto resistente à doença. O sintoma inicial geralmente aparece em um ramo ou galho, que se destaca pela cor amarela em contraste com a coloração verde das folhas dos ramos não afetados. O fruto fica deformado e assimétrico e a única solução é a erradicação das plantas doentes.
Fonte: Tribuna Impressa de Araraquara
