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Produtores de laranja querem assumir presidência do Fundecitrus

29 de novembro | 2005

Os produtores de laranja poderão assumir a presidência do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) na gestão que começa em 2006 e termina em 2011. Hoje, o cargo é ocupado por Ademerval Garcia, que também é presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus).

Depois de uma série de divergências entre indústria e produtores, que começa a colocar em risco a manutenção do Centro de Pesquisa de Cítricos, Ademerval Garcia disse ontem que coloca seu cargo à disposição.

Segundo ele, a indústria decidiu que não vai mais assumir um déficit de R$ 8 milhões no orçamento anual de R$ 42 milhões do Fundecitrus e que pretende passar aos produtores a gestão da instituição.

O Fundecitrus se mantém hoje com a contribuição de R$ 0,18 por caixa de laranja processada pela indústria; metade paga pelo produtor e metade pelas empresas.

O rombo nas contas, segundo a indústria, seria o resultado de aproximadamente 60 milhões de caixas de laranja, as quais os produtores não autorizam a cobrança da taxa para o Fundecitrus. “A indústria tem de pagar a conta dela e também do produtor, já que o compromisso da indústria é recolher no processamento”, acrescentou Garcia.

Além de passar a gestão aos produtores, a Abecitrus sugere que seja cobrada a taxa para o Fundecitrus também dos citricultores que produzem laranja de mesa e dos viveiristas.
“Atualmente, são produzidas 18 milhões de mudas por ano, beneficiadas pelos estudos do Fundecitrus. Mas os viveiristas não contribuem”, explicou Garcia.

Além da questão financeira, a indústria sempre é cobrada pelos citricultores para que adote uma postura mais transparente na divulgação dos números de produção nas unidades, já que o total processado definiria o orçamento do Fundecitrus. “A indústria entende que não é possível, por questões estratégicas, em um mercado que tem quatro empresas, abrir números de processamento. Por isso, a indústria vai continuar a contribuir com suas árvores, mas passará a gestão aos produtores”, reafirmou o presidente do Fundecitrus e da Abecitrus.

No próximo dia 13 de dezembro, em uma reunião do conselho da entidade, o assunto será o principal item da pauta. Além de sugerir que os produtores elejam o novo presidente do Fundecitrus, as empresas processadoras concordam que o conselho gestor tenha paridade entre as partes, pois hoje, ele é formado por seis representantes da indústria e quatro citricultores.

Associtrus

O presidente da Associação Brasileira e Citricultores (Associtrus) e da Câmara Setorial da Citricultura, Flávio Viegas, considerou positivo o fato de os produtores assumirem o Fundecitrus, e, inclusive, assumiu o interesse pelo cargo de presidente. “Acredito que os citricultores poderão dar um futuro melhor à entidade”, diz Viegas.

Apesar disso, Viegas admite que será uma disputa acirrada, pois a indústria “tem vários nomes fortes para a presidência”.

Ainda na opinião do presidente da Associtrus, com os citricultores na liderança de uma das principais instituições de pesquisa da citricultura no mundo, os enfoques seriam diferentes.
“Atualmente, os investimentos são destinados basicamente para pesquisas de fitossanitárias, mas não dá para garantir a sanidade do pomar sem dinheiro. Então, a intenção é gerir a citricultora como um todo, como, por exemplo, investir em melhorias com o mercado”, adianta Flávio Viegas.

A sugestão de Ademerval Garcia, dos produtores assumir o próprio repasse da classe, também é bem-vindo pela Associtrus.

“Há anos que os citricultores propõem em criar um fundo próprio para repassar para o Fundecitrus. Este fundo seria gerido por um conselho exclusivo e a indústria não teria mais problemas quanto a isto”, afirma.
Com os citricultores à frente do Fundecitrus, Viegas acredita ainda que o acesso às informações do setor seria mais fácil para os produtores.

(Crédito: Fernanda Manécolo – Tribuna Impressa de Araraquara – com Agência Estado)

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