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Editorial
Quanto mais as coisas mudam, mais continuam as mesmas
29 de janeiro | 2010
Por: Flávio Viegas
Como já comentamos, a geada na Flórida provocará uma quebra de pelo menos 25% na safra de laranja daquele estado- o segundo produtor mundial de suco de laranja- em relação à safra passada, o que corresponderia a uma quebra de 50% em relação ao nível de produção anterior aos furacões de 2004. Já há quem estime que a próxima safra da Flórida fique abaixo dos 100 milhões de caixas, o que corresponderia a uma quebra de 40% em relação à safra passada.
O preço do suco na bolsa de NY teve aumento superior a 80% e deverá continuar a subir, pois a demanda está em recuperação e a oferta em queda.
Para confirmar as boas perspectivas de longo prazo, a Coca Cola deverá investir cerca de US$ 400 milhões para adquirir 35% da Nydan, a quarta maior empresa russa do setor. Com esta aquisição a Coca Cola passaria a controlar 36% do mercado russo e ultrapassaria a Pepsi Cola, que controla 32% daquele mercado. Tudo isto num momento em que a economia Russa se mostra fortemente afetada pela crise econômica.
A notícia de que a Citrosuco está planejando investir mais US 15,5 milhões na ampliação dos seus tanques de recebimento de suco em Wilmington nos EUA e a informação de que assinou um “acordo operacional” com a Citrovita unindo as duas empresas, ao lado dos enormes financiamentos tomados pela Citrosuco junto ao BNDES para ampliação dos pomares, confirmam as perspectivas favoráveis para o mercado de suco.
Porém o Brasil e os citricultores ainda não participam da “festa”. Apesar dos fundamentos favoráveis, estranhamente a indústria não demonstra disposição em disputar a matéria-prima para assegurar o abastecimento de seus clientes, nem se preocupa em antecipar as compras para evitar a alta de preço. Isto confirma a continuidade do cartel, pois a divisão dos produtores e o acordo de preços lhe garantem suprimento a preços baixos, sem risco de que um concorrente avance sobre seus fornecedores. O Brasil perde porque os valores registrados nas exportações continuam muito abaixo do preço do suco no mercado internacional; as exportações estão sendo registradas abaixo de US$ 1050/t, enquanto o preço do suco concentrado está sendo comercializado acima de US$ 1550/t. Com relação ao suco NFC, não concentrado, a diferença é ainda maior, pois o valor de registro está na faixa dos US$ 300 e o preço supera os US$ 550/t. Nos últimos anos verificou-se uma diferença média da ordem de US$ 660 milhões entre os valores registrados nos embarques em Santos e os preços nos nossos maiores mercados; esta diferença supera em muito os custos de transferência do suco do Brasil para os portos europeus ou norte-americanos.
