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Refugo, prática indecorosa da Indústria.
28 de fevereiro | 2007
Desde a década de 90, as indústrias vêm adotando uma das práticas mais indecorosas que o Agronegócio tem visto que é o desconto de nossas safras que a indústria chama de REFUGO.
Inclusive, uma dessas indústrias com filial em Bebedouro utiliza duas Extratoras da Marca Centenário, todas outras são FMC, para processar toda laranja que denominam “Refugo” para produzir Suco e os demais subprodutos. E nesta indústria, há casos que chegam a descontar até 8%.
Vamos ver o quanto elas estão descontando dos Citricultores por ano:
Produção Paulista segundo o IEA-2007 = 355 milhões de caixas.
– Mercado interno = 80 milhões de caixas (laranja não processada).
– Processamento = 275 milhões de caixas (laranja processada).
275 milhões de caixas = Citricultores + Indústrias (produção própria)
Produção das indústrias 1/3 = 92 milhões de caixas próprias.
Citricultores independentes = 183 milhões.
Vamos adotar um número bastante usado pela indústria em seus contratos = 2% de desconto:
2% de 183.000.000 = 3.660.000 (três milhões e seiscentos e sessenta mil) de caixas de refugo que nos deixam de pagar.
Uma caixa a R$15 = 15x 3.660.000 cxs = R$54.900.000 (cinqüenta e quatro milhões e novecentos mil reais) neste ano.
Isso mesmo, as Indústrias pretendem “refugar”, CINQUENTA E QUATRO MILHÕES E NOVECENTOS MIL REAIS, só na safra 2007/08!
Multiplicando esta perda por 16 anos e utilizando um preço médio da caixa de R$10 e estimando que nós produtores produzimos 220 milhões de caixas por ano, as indústria nos “REFUGOU” = R$704.000.000,00 (setecentos e quatro milhões de reais).
Será que a palavra REFUGAR, mudou de sentido?
Vamos ver o que o Dicionário Houaiss diz:
1 ato de refugar
2 o que foi posto de lado, refugado; resto.
ASSOCITRUS
