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Venda da Del Valle para Coca e Femsa é vetada no México
28 de maio | 2007
A agência antitruste do México vetou a compra da Sucos Del Valle pela Coca-Cola Company e pela Femsa, sua engarrafadora no país. O negócio – de US$ 470 milhões, sendo US$ 380 milhões em dinheiro e US$ 90 milhões em dívidas – foi anunciado em dezembro do ano passado. A aquisição foi completa, incluindo a marca e as seis fábricas da Del Valle no México e uma no Brasil.
Na sexta-feira, as duas empresas divulgaram ter sido informadas extra-oficialmente da decisão da Comissão Federal de Concorrência. O anúncio oficial deve sair entre hoje e amanhã.
Paralelamente à análise da entidade antitruste mexicana, o caso foi submetido ao parecer do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no Brasil. No México, porém, o controle é prévio, ou seja, a análise é feita antes de que a compra e a integração das empresas seja efetivada. No Brasil, as empresas fecham e assumem o negócio para que então haja análise do Cade. Por conta da legislação antitruste mexicana, tanto no Brasil quanto no México, as operações de Del Valle e Coca-Cola foram mantidas separadas e independentes.
A participação da Del Valle no México é menor do que no Brasil. Lá a empresa é a segunda colocada, com cerca de 20% do mercado em volume e 22% em valor. A liderança é da Jumex, dona de aproximadamente 22% em volume e 30% em valor. Já no Brasil, a Del Valle tem cerca de 25% do mercado, o que dá à Coca-Cola, que já é dona de Minute Maid Mais, uma participação de mais de 30% do mercado de sucos prontos para beber.
As empresas ainda aguardam o teor das alegações do órgão antitruste do México. Nesse tipo de decisão, cabe recurso tanto à própria agência, quanto à Justiça. Os advogados das empresas se reuniram na sexta-feira para saber como proceder aqui no Brasil, já que o negócio foi vetado lá fora. A decisão pegou os executivos das empresas envolvidas de surpresa.
Ainda não se sabe se o negócio desfeito no México encerra de imediato a venda no Brasil – principal plataforma de exportação da Del Valle. Compradores e vendedores teriam que se sentar novamente e avaliar se faz sentido para as partes (do lado comprador são duas: Coca-Cola e Femsa, cada uma com 50%) segregar a venda dos ativos no Brasil e no México.
A Coca-Cola e os seus 17 fabricantes no Brasil estão criando uma empresa para cuidar só dos chamados não-carbonatados. A joint venture começa com Sucos Mais, mas a idéia seria incorporar Matte Leão e Del Valle em um segundo momento (justamente após a decisão dos órgãos antitruste). Del Valle seria o negócio de maior faturamento dentro da joint venture.
A estratégia da Coca-Cola de não se concentrar apenas em refrigerantes e avançar em bebidas saudáveis está cada vez mais agressiva. A rival Pepsico saiu na frente com a marca Tropicana, mas a Coca não está economizando para dar o troco. Na última sexta-feira, anunciou a compra da Energy Brands, conhecida como Glaceau — fabricante da bebida Vitaminwater e líder do segmento de águas saborizadas – por US$ 4,1 bilhões em dinheiro. A companhia também está negociando a compra da Highland Spring, segunda colocada no mercado de água na Inglaterra, por US$ 992,7 milhões. No Brasil, a Coca desenvolveu a marca Aquarius, para disputar o segmento de águas saborizadas, e recentemente criou a Aquarius Fresh, levemente gaseificada e com sabor limão, para brigar com H2OH!, que já é líder no segmento diet/light no mercado paulista.
Daniela D`Ambrósio
28/05/2007
