27 de março | 2008
O grupo francês Louis Dreyfus Commodities vai estrear no mercado de suco de laranja fresco e não concentrado (NFC , na sigla em inglês). Com demanda crescente no mercado internacional e considerado de maior valor agregado em comparação com o suco concentrado e congelado, o NFC vai consumir investimentos adicionais do grupo no Brasil.
Um dos investimentos foi anunciado ontem pela multinacional. Com o aporte de R$ 50 milhões, a LD contará com um terminal próprio no porto de Santos, que terá como função principal o escoamento da produção para o mercado externo.
O mercado do NFC aumenta 35% ao ano e pode atingir 1 bilhão de litros até 2010, volume que corresponde às vendas atuais de suco de laranja concentrado e congelado, conforme Kenneth Geld, presidente da companhia. O terminal já está em construção e as obras devem terminar até o fim de 2008. A União Européia, com 70% do total dos embarques, será o principal destino.
Na área de suco de laranja, o cronograma de investimentos Louis Dreyfus no Brasil entre 2008 e 2012 é de R$ 550 milhões. Desse montante, cerca de R$ 430 milhões serão destinados a ajustes na logística que o NFC – que ocupa um espaço muito maior em caminhões e navios – exigirá da empresa.
Os R$ 120 milhões adicionais serão distribuídos entre adaptações nas fábricas e ampliação dos pomares. A empresa já chegou a produzir e exportar NFC a partir do Brasil, segundo Henrique de Freitas, diretor da divisão de citros da companhia, mas a iniciativa ficou apenas em pequena escala.
Com o redirecionamento do projeto, a fábrica localizada em Bebedouro (SP) será a primeira fábrica da Louis Dreyfus a produzir o suco fresco e não concentrado em grande escala. As outras duas plantas, localizadas em Matão e Engenheiro Coelho, também em São Paulo, não serão excluídas da nova frente.
A empresa buscará ganhar terreno em um nicho do qual já fazem parte concorrentes como Citrosuco e Cutrale. “O novo terminal terá capacidade para receber 50 navios de grande porte e de exportar mais de 250 mil toneladas de suco por ano”, afirma Geld. O terminal terá capacidade também para embarcar suco concentrado.
A companhia fechou o ano passado com faturamento de US$ 2,5 bilhões, ou pouco mais de 10% do faturamento total do grupo, que foi de US$ 20 bilhões. A meta para este ano é chegar a até US$ 3 bilhões, segundo Geld. A programação de investimentos prevê aportes de US$ 2,057 bilhões no período entre 2004 e 2010. Desse montante, já foram desembolsados US$ 1,125 bilhão, segundo a empresa.
Fonte: Valor Econômico