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Nova colhedora

30 de maio | 2008


Máquina para apanhar laranja


 


Carlos Eduardo de Souza – do Diário da Região


 


Uma das atrações da Feira de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow 2008), realizada de 28 de abril a 3 de maio em Ribeirão Preto, foi o lançamento da primeira colhedora automotriz de laranja do Brasil. O projeto de desenvolvimento do produto levou 10 anos, com registro de seis patentes depositadas e custou US$ 3 milhões. A colhedora de laranja Jacto K5000 é lançada no momento em que ocorre uma redução na oferta de mão-de-obra para a apanha da fruta e quando os citricultores começam a renovar os pomares, adotando espaçamento de plantio mais adensados. O gerente de produto, Walmi Gomes Martin, afirmou que a colhedora também foi projetada para trabalhar em pomares mais antigos, com espaçamento maior entre as plantas.


 


Tecnologia embarcada


Para trabalhar diferentes realidades, a colhedora tem um sistema composto por dois sensores de plantas que “enxerga” a forma da árvore e dois controladores lógicos programáveis que fazem a leitura do perfil da planta, processam as informações e calculam a trajetória do derriçador. “Os derriçadores são de fibra de vidro e fazem movimentos para frente e para trás (horizontais) e também de baixo para cima (verticais)”, disse. As funções do processo de colheita são comandadas pelo operador por meio de um display de LCD na cabine. A colhedora é automotriz, com um consumo médio de 10 litros de diesel a uma velocidade de colheita que pode oscilar entre 800 e 900 metros por hora, o suficiente para colher 800 caixas em um intervalo de 60 minutos de operação com um conjunto direito/esquerdo. “Ruas longas e retilíneas favorecem a utilização da K5000.”


 


Altura da saia


Segundo Walmi Martin, para evitar danos ao equipamento, é preciso retirar galhos mais grossos, deixando a “saia” do pé de laranja a 60 centímetros do chão. Testes realizados com o equipamento em pomares da Fischer (Citrossuco) apontaram que os danos provocados à planta na colheita mecanizada são semelhantes aos ocorridos na colheita manual. “Dados passados pela Fischer são de 0,14%”, afirmou. A colhedora de laranja tem 11,2 metros de comprimento, 2,4 metros de largura das extremidades externas das rodas e motor de 151 cavalos (cv) de potência. A largura das ruas deve ser de 6,5 metros de e o desnível do solo inferior a 15%.


 


Limitações


O equipamento ainda apresenta algumas limitações. Para obter 800 caixas de laranja por hora, é preciso que a colheita seja feita por um par de máquinas (conjunto direito/esquerdo), trabalhando a mesma velocidade, lado a lado, em ruas paralelas. Isso faz com que as laranjas caiam dentro das bandejas coletoras que passam abaixo da saia da planta e minimize o desperdício. As frutas são limpas, inclusive com a retirada do cabinho, e colocadas em bags (sacolas, em inglês) que são soltos nas ruas do pomar quando cheios, sem que o equipamento pare de operar. Após a colheita, é preciso que trabalhadores catem as frutas que não foram recolhidas pelas coletoras.


 


Melhor com as tardias


A altura máxima de colheita é de 5 metros. Como no Brasil, são cultivadas variedades de laranja que apresentam mais de uma florada por ano, as variedades precoces e de meia estação, colhidas antes das primeiras chuvas, tendem a apresentar melhor resultado com a colheita mecanizada que as tardias. Isso porque as derriçadeiras derrubam tanto as frutas maduras quanto a florada, chumbinho e frutos que não estão em desenvolvimento. Na opinião de Martin, a redução dos custos na colheita na faixa de 30%, escassez de mão-de-obra e adensamento dos pomares farão a mecanização da colheita da laranja um processo irreversível.


 


Cada colhedora K5000 custa R$ 1,7 milhão (R$ 3,4 milhões o conjunto direito/esquerdo) e, com a redução de custos na colheita, o capital investido na compra é recuperado em três anos. O lançamento é direcionado às indústrias processadoras de suco que detêm grandes áreas cultivadas com laranja, por pools e grandes citricultores, médios e pequenos produtores associados e pelos prestadores de serviço.


 


Show de tecnologias agrícolas


Impulsionada pela valorização das commodities agrícolas e pela continuidade da expansão dos canaviais e a entrada em funcionamento de novas usinas, a Agrishow deste ano, realizada em Ribeirão Preto, apresentou novidades para a agricultura voltada às lavouras anuais com lançamentos de plantadeiras, colhedeiras de grãos e outras máquinas. Para a canavicultura, as novidades não param de acontecer. Uma prova disso é que Valtra e Massey Fergunson anunciaram o desenvolvimento de colhedoras para o segmento de cana-de-açúcar. As micro e pequenas propriedades, alavancadas pelos programas sociais governamentais, continuam estimulando as vendas de tratores de pequena potência e implementos.