23 de junho | 2008
Monte Azul Paulista, 20 de junho de 2008
Ao Excelentíssimo senhor João Sampaio Filho
Secretário de Agricultura de S.Paulo.
Prezado Secretário,
Parabenizo Vossa Excelência pelo esforço que tem demonstrado na defesa da citricultura de São Paulo, maior produtor do planeta e que movimenta R$ 9 bilhões por ano. As medidas adotadas pela Secretaria de Agricultura, como a contratação de 356 técnicos para a defesa agropecuária e o reaparelhamento da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, também são motivo de aplausos.
Aproveito a oportunidade para lembrá-lo que, apesar do greening e de outras pragas motivarem a “guerra da citricultura”, título de seu artigo publicado na Folha de S.Paulo do último dia 17 de junho, os produtores paulistas tentam sobreviver à outra guerra há anos: o poder econômico das indústrias que, ao nos obrigar a vender a fruta por preços abaixo do custo de produção, nos impede de fazer os investimentos necessários para preservar a saúde dos pomares. A guerra “produtor X indústria” é tão visível que, em dez anos, o número de citricultores foi reduzido em mais de 50%. Se a indústria pagasse um valor justo pela fruta, com certeza, a disseminação do greening e de outras pragas e doenças não estaria no patamar atual, uma vez que o produtor teria condições de cuidar da saúde do pomar.
Atualmente, senhor secretário, não temos condições sequer de cumprir as medidas preconizadas pela Norma 32 do Ministério da Agricultura e nem dinheiro para a erradicação das plantas doentes. Muitos produtores endividados vão “pagar pra ver”, ou seja, mesmo com seus pomares infestados de greening não vão erradicar as plantas antes das frutas madurarem, o que promoverá ainda mais a disseminação da doença.
Lamento muito pela atual situação da citricultura paulista e espero que, com o empenho de Vossa Excelência, sejam encontradas soluções viáveis para superar a crise que se alastra pelo campo.
Agradeço
Antônio Fávero
citricultor