04 de agosto | 2008
Na última quinta feira dia 31 de julho, o Secretário João Sampaio e o Secretário Adjunto Antonio Júlio Queiroz, da Agricultura de São Paulo, receberam um grupo de produtores representantes da Associtrus, Sindicatos Rurais de Araraquara, Campinas e Taquaritinga além de pools e produtores, para uma conversa franca sobre os rumos da Citricultura.
Os produtores em voz uníssona mostraram que a forma que as indústrias estão agindo orquestradamente, não haverá saída para o produtor individual e só as indústrias terão condições de manter suas plantações.
A tônica da reunião foi a total falta de condições para manter seus pomares, pois com os preços pagos pelas indústrias, principalmente agora com a disseminação do greening, do aumento dos fertilizantes e com a baixa do dólar.
Havia muitos anos que uma união entre representantes dos produtores não falavam a mesma língua, mas a irredutibilidade dos industriais juntou aquilo que parecia não ter conserto!
Esta mudança deve-se a uma orquestração continuada por parte das indústrias, que vêm levado os produtores a uma situação de desalento e de dificuldade financeira sem precedente.
Estas e outras maquinações foram transmitidas ao Secretário que comprometeu agendar uma reunião com o Governador Serra, para que se apresentem sugestões para o setor.
O fato, dos pequenos e médios produtores estarem sendo vítimas destas práticas deixou o Secretário desapontado, pois como ex-citricultor já fora vítima desta mesma prática e agora sabe que sua obrigação é estancar a saída de mais citricultores, pois a citricultura é grande responsável pela distribuição da renda do nosso interior além de ser a maior e melhor citricultura do planeta!
Foi dito ao Secretário que muitas indústrias estão fechando suas fábricas, por falta de laranja e dispensando condomínios de colhedores, que só na região de Taquaritinga já atingiu mais de 18.000 empregos.
Mas já que falta laranja porque o preço da caixa só cai?
Mas as coisas não param por aí, uma das quatro indústrias vêm chamando produtores para renegociar sua fruta para baixo, pois dizem estar precisando de mais de 1000 caixas para obter 1 tonelada de suco. Ou seja, elas demoram em abrir suas fábricas, não dão autorização para entrega da fruta, e na hora que a fruta tem liberação, eles dizem que a fruta não presta e querem renegociar para baixo a caixa que mal dá para cobrir o custo de produção!
Como disse um dos participantes na reunião, o melhor mesmo é procurar outra atividade, pois mesmo sendo investigadas por formação de cartel as indústrias continuam seu objetivo de achacar até onde pode os produtores, sem dó nem piedade!
Outra teoria foi levantada, que com a baixa de R$5 por caixa entre a safra passada e esta, as indústrias devem moer em torno de 200.000.000 (duzentas milhões de caixas) de terceiros, fará uma economia de R$1 bilhão só neste ano, suficiente para implantar suas fazendas em locais afastados do centro do greening. Como a Fazenda de 1600 alqueires que acaba de ser comprada por uma das indústrias em Sud Minucci, que cumpria requisito básico de estar a pelo menos 5 km de distância de qualquer fazenda de laranja!
Há também os estudos do Pensa, contratado pela Abecitrus, que mostra que o Vale do São Francisco pode e deve ser usado para cultura da laranja e está bem afastada de centros tradicionais.
Quanto ao Fundecitrus, que continua nas mãos das indústrias, uma nova ameaça vêm sendo feita às autoridades, que se não houver mais dinheiro e atitude de dizimar o quanto antes os pomares afetados, dispensarão mais de 300 funcionários contratados para este fim.
E o para o citricultor, que não têm nem recurso para manter seu pomar, terão que pagar para destruir seu patrimônio, sem que haja reparação para seus prejuízos!
Mas onde está a contrapartida das indústrias, que são as únicas que ganham na Citricultura?
Quanto ao seguro prometido pelo FUNDECITRUS, já é passado!
Que seguradora aceitará o “MICO” de assegurar uma lavoura que já está sendo atingida por uma praga e não há como combatê-la?
Enquanto isso, os produtores que na média recebem menos que US$4,50 (R$7,00) a caixa, não podem nem buscar uma alternativa, como a de processar sua própria fruta, como é o caso da SUCOOP, que está sendo vitima de um dos investigados por prática de Cartel, que impediu seu funcionamento.
Tudo mostra que o “Clubinho” continua atuando e que a prática da “Bola Preta” nunca foi abandonada!
Citricultores, o Gato subiu no telhado!
Renato Toledo de Queiroz
Presidente do Conselho da ASSOCITRUS