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Que pena …

22 de agosto | 2008

Com apenas uma sócia, Abecitrus volta-se ao exterior


 


Esvaziada, a Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus) volta-se agora ao exterior. Criada em 1988 por iniciativa da Cutrale, a entidade chegou a ter 30 membros em 1993, mas, com a consolidação do mercado – e também com o desligamento de outras associadas -, ela mantém como sócia, desde o fim de 2005, apenas a empresa fundadora. 


 


“Estávamos com poucas tarefas e maior liberdade de agenda. Não vamos mais atuar como representantes políticos do setor e nas negociações da área agrícola com o governo. O mundo mudou nos últimos dez anos, e nosso mercado também”, diz o presidente da Abecitrus, Ademerval Garcia. 


 


Nesse período, afirma ele, ocorreu uma redistribuição de forças no segmento. China e Índia ganharam peso como consumidores de suco de laranja e também aceleram iniciativas para ganhar maior relevância no plantio da fruta. Com isso, o foco da Abecitrus passará a ser um contato mais direto com potenciais compradores no mercado externo do que a representação dos exportadores no Brasil. 


 


A entidade manterá suas atividades no país, mas algumas de suas tarefas serão reduzidas. O acompanhamento dos dados de produção e exportação, por exemplo, que era atualizado mensalmente, passará a ser divulgado apenas no fim do ano civil e no encerramento da safra. 


 


A atuação da Abecitrus deverá ter como base física um escritório a ser montado na Europa central, em local ainda a ser definido. Mesmo essa mudança não é prioritária para a guinada de foco. “Pode-se trabalhar com escritório virtual”, diz Garcia. 


 


A opção pela Europa é a maior facilidade de acesso a mercados de grande potencial, como o asiático, e também ao mercado americano. “Do ponto de vista geográfico, o Brasil ficou longe da nova realidade do setor”, afirma. O dirigente, recentemente reeleito, tem mandato a cumprir até 2012. 


 


No mercado, a consolidação do setor é tida como um dos motivos para o esvaziamento da entidade. Citrosuco, do grupo Fischer, e a Louis Dreyfus Commodities (na época Coinbra), desligaram-se da Abecitrus no fim de 2005. Meses antes haviam saído a Citrovita e a Cargill, que desistiu de investir em suco de laranja no Brasil, a Bascitrus e a Montecitrus. “Agora vamos ficar mais próximos de quem compra do que de quem vende”, afirma Garcia. 


 


Fonte: Patrick Cruz, do Valor Econômico de São Paulo