24 de setembro | 2008
Os negócios da citricultura no Brasil estão relacionados à expansão dos pomares e ao desenvolvimento do setor industrial. Mas a relação entre as duas partes da cadeia é marcada até hoje por conflitos contratuais. A citricultura brasileira é ainda um dos setores mais competitivos do agronegócio mundial. O Brasil detém 40% da produção da fruta no mundo inteiro e 60% do suco de laranja. Além disso, a agroindústria deste setor movimenta R$ 9 bilhões por ano. A indústria tem um grande investimento feito nisso e ela precisa de matéria-prima e, provavelmente, ela vai reagir a esta situação, segundo Flavio Viegas, presidente da Associtrus. Viegas, presidente da associação que representa os produtores, se refere ao momento em que vive o setor e ao desafio de resolver um dos maiores problemas sanitários dos pomares nos últimos tempos: a infestação do greening. Além disso, a relação dos citricultores com a indústria, nada amistosa, é outro problema para o setor. Segundo ele, a situação é muito complicada, porque a indústria é concentrada. Quatro empresas que estão trabalhando em harmonia e em conjunto, impondo condições contratuais que não cobrem os custos de produção do produtor e isto está dissimulando os produtores tradicionais, e ela mesma está implementando seus pomares, tendo sua produção e ganhando mais força para impor condições difíceis para o produtor. Há um grande desânimo na citricultura. Essa verticalização da indústria se trata de uma estratégia de proteção, caso os citricultores não plantem mais. Em pouco tempo a indústria já terá 40% do que ela vai moer. Não da produção total, uma parte disso vai para o mercado interno, mas da produção que ela vai industrializar. No longo prazo, não é bom para a citricultura, porque é necessário que haja uma relação de forças entre os principais elos da cadeia, ou seja, da produção e da industrialização. A situação da indústria com o produtor é uma situação extremamente delicada. É uma situação onde o produtor está sempre numa condição muito fragilizada, não só com a situação do mercado, mas com a situação do clima, de intempéries, que são normais dentro de uma atividade rural. A indústria sempre quer, com certeza, tirar um pouco de proveito nisso e o produtor acaba se sacrificando demais. Então, existe sempre este desgaste nessa relação de indústria no mercado. A primeira fábrica de sucos no Brasil foi instalada em Araraquara, em São Paulo, em 1963. Pouco tempo depois, com os investimentos do setor industrial, é que começou a expansão dos pomares paulistas. E foi aí que se iniciou também esta relação, que se mantém conturbada com os fornecedores de matéria-prima, os citricultores. Na década de 60, o fornecimento de matéria-prima já era feito por contratos. Mas o contrato-padrão, que condicionou o preço da laranja às cotações internacionais do suco e criou regras para o pagamento, só surgiu em 1980. A relação entre fornecedor e comprador começou a esquentar com denúncias de formação de cartel pela indústria. A última resultou numa operação da Polícia Federal em janeiro de 2006, quando foram apreendidos documentos das principais processadoras de suco de laranja do país. A ação ficou conhecida como “Operação Fanta”. Até hoje, os documentos não foram analisados e o processo de denúncia ainda não foi concluído. Fonte: Canal Rural