04 de janeiro | 2009
Diferentemente de outras notícias internacionais na maioria das vezes de muito pouco interesse para o nosso dia a dia, tenho acompanhado com muita preocupação fatos e as primeiras conseqüências da crise mundial que está implantada e que vem vindo com efeito assustador de um tsunami. Não é preciso saber profundamente de economia para perceber que o mundo está numa nova ordem econômica e que poderá acabar com algumas atitudes inconseqüentes, como a demanda exagerada de bens e consumo dispensável de supérfluos, principalmente nos Estados Unidos onde a moeda por vezes virtual, tomou conta e a prática de consumo desregrado foi o combustível para eles durante décadas. Aqui abaixo da linha do Equador, esperamos que mais uma vez Deus fosse brasileiro e proteja nossos dias futuros, sem esquecer de dar uma olhadinha para a agricultura! Já se nota uma queda nos preços de commodities, principalmente as agrícolas e com o suco de laranja (FCOJ e NFC) a coisa não está sendo diferente; independentemente dos valores da bolsa de Nova York, onde os fatores de ambiente especulativo têm muita interferência, os preços REAIS de venda de sucos, tanto concentrados, como frescos (NFC), tem caído muito nas últimas semanas; a meu ver em razão do preço de prateleira. A fórmula é batida, mas cabe lembrar: Preço alto + consumo baixo + safra em processo = estoques altos Portanto: baixa necessidade de compra de matéria prima! Com estoques altos e perspectiva de demanda reprimida, a cadeia do negócio de citros repercute nos preços de matéria prima; e aí é que mora o perigo! A incerteza gera várias interrogações: 1. O cenário que toda hora aparece nas notícias não é auspicioso e requer muita cautela na projeção das safras futuras; infelizmente, não só atitudes individuais e pessoais nos protegerão. Será necessário um esforço mútuo da cadeia. Quem se habilita? 2. Reduzir tratos com a terra e com os pomares? Isso acarretaria menos produtividade e os custos relativos podem ser os mesmos e com reflexos graves nas safras futuras. 3. Com a baixa do petróleo, ESPERA-SE uma redução nos preços dos fertilizantes e de outros insumos que disparam seus preços na justificativa do petróleo caro; será que vai acontecer? Quando? 4. Já soube que o consumidor na Europa que pagava USD 3,50/litro de NFC, já está migrando para o suco diluído (água + FCOJ) porque o preço é de cerca de USD 1,50/litro. Isso poderá até aumentar o consumo de FCOJ, a ponto de derrubar os atuais estoques? 5. Será que mais para frente o consumidor não passará para outras bebidas de outras frutas mais baratas? 6. O produtor sempre desprotegido de ações dos governos, como sobreviverá? O prognóstico é muito difícil!. Cabe apenas não desestimular. Investir no que se sabe fazer. Controlar os gastos.
Que tal não se esconder e tirar proveito da situação? Confiar na atividade pode ser receita!.
Paulo Celso Biasioli –Eng. de Alimentos.