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A História de Duas Pulgas

27 de março | 2009

Max Gehringer (Colunista da Você S/A)


Muitas empresas caíram e caem na armadilha das mudanças drásticas de coisas que não precisam de alteração, apenas aprimoramento: o que lembra a história de duas pulgas.


Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:


– Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito  mais moscas do que pulgas.


E elas contrataram uma mosca como consultora, entraram num programa de reengenharia de vôo e  saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:


– Quer saber ? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e  levantam vôo rapidamente.


E elas contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do  chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. A primeira pulga explicou por quê:


 – Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender  como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.


E um pernilongo lhes prestou uma  consultoria para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, elas eram espantadas antes mesmo de pousar.  Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha:


– Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica?


– Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.


– E por que é que estão com cara de famintas ?


– Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você?


– Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.


Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer:


– Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia?


– Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora.


– Hã? O que as lesmas têm a ver com pulgas?


– Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou  três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me deu o diagnóstico.


– E o que a lesma sugeriu fazer??


– ‘Não mude nada. Apenas sente no cocuruto do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança’



Você não precisa de uma reengenharia radical para ser mais eficiente… Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento.