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Mercado de citros reage com preço e consumo maior

07 de janeiro | 2010


Mercado de citros reage com preço e consumo maior


 


Altas nos preços do suco, o aumento do consumo, a queda nos estoques norte-americanos e as quebras previstas nas safras justificam o cenário positivo


 


Ribeirão Preto – Se 2009 foi considerado o pior ano da década para o mercado de citros e de suco de laranja, há um consenso na cadeia produtiva da fruta e da bebida de que 2010 será melhor. As sucessivas altas nos preços do suco, o aumento do consumo, a queda nos estoques norte-americanos e as quebras previstas nas safras de laranja das duas maiores regiões produtoras do planeta – São Paulo e Flórida (EUA) – justificam o cenário positivo.


 


Os primeiros reflexos já foram sentidos em 2009. A indústria brasileira, que até meados deste ano fechava contratos entre US$ 900 e US$ 1 mil por tonelada de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ), negocia, desde outubro, valores entre US$ 1,3 mil e US$ 1,5 mil por tonelada. Mas como os contratos só são efetivados meses depois de fechados, os impactos no Brasil serão sentidos neste ano. “”A alta vai ser notada na balança comercial, para as indústrias e para o produtor no final do primeiro semestre de 2010″”, prevê o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Christian Lohbauer. No entanto, o fator que ainda preocupa exportadores é o câmbio, pois 97% da produção de suco é destinada ao mercado externo.


 


A disparada dos preços no mercado futuro de suco na Bolsa de Nova York (ICE) começou logo após especialistas e o governo norte-americano estimarem uma queda de 16% na produção de laranja da Flórida em 2010, para 136 milhões de caixas de 40,8 quilos, e se acentuou quando as primeiras revisões apontaram números ainda menores, alguns até em torno de 130 milhões de caixas. O cenário foi reforçado com a perspectiva de quebra também em São Paulo, maior produtor mundial de laranja.


 


A indústria e produtores já avaliam que a safra paulista tenha uma quebra de até 20% e fique em torno de 310 milhões de caixas em 2010. Fatores climáticos, como as chuvas do segundo semestre deste ano, que trouxeram de volta a doença chamada podridão floral, e o greening, pior praga da citricultura, podem prejudicar a produção.


 


No Paraná a produção de laranjas também deve ser menor em razão dos problemas climáticos. Além do efeito das chuvas, segundo o agrônomo Benno Roes, gerente do projeto de fruticultura da Corol Cooperativa Agroindustrial, de Rolândia, os baixos preços da fruta resultaram em pouco investimento tecnológico. “”O preço médio da caixa de laranja ficou em R$ 3,00. Não dava para pagar nem mesmo a colheita e o transporte””, afirmou.


 


Os números do Estado não estão fechados, mas segundo Roes, a redução no volume colhido também pode chegar a até 20%, com frutas menores. A vantagem dos pomares paranaenses, como destaca, é ser composto de árvores mais novas. O cenário que começa a se desenhar, para o técnico, pode garantir bons preços nos próximos 3 ou 4 anos e permitirá melhorias nos pomares para a próxima safra. “”Vai dar para o setor “criar carne”, pois estamos “no osso”””, ilustra em tom de brincadeira.


 


Para o presidente da consultoria Agra FNP e membro do Grupo de Consultores de Citros (GCONCI), Maurício Mendes, a melhora no preço do açúcar no mercado externo e do álcool no mercado interno devem ajudar, indiretamente, o produtor de citros a negociar contratos melhores com a indústria. “”Se a indústria não viabilizar contratos a preços remuneradores ao citricultor, ele pode deixar a atividade e plantar cana-de-açúcar””, disse Mendes.


 


Segundo o executivo, essa migração já foi verificada há dez anos, entre 1999 e 2000, quando os preços pagos pela laranja despencaram e o citricultor paulista trocou a cultura pela cana. “”Em 2000, a laranja perdeu cerca de 100 mil hectares para a cana-de-açúcar, inclusive com a erradicação de pomares recém-plantados””, lembrou Mendes.


 


Já Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), admite que “”novos fundamentos para o setor trouxeram um cenário positivo ao mercado””, mas duvida que o produtor brasileiro seja beneficiado. “”Com a concentração grande no setor, vai depender de a indústria achar que deve, ou não, remunerar mais o produtor””, afirmou Viegas. “”Enquanto continuar a política de exclusão do produtor e ainda não houver uma regulação do setor, fica difícil melhorar””, concluiu. (AE).


 


Fonte: Notícias Agrícolas