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Clima favorece o aumento de doenças fúngicas nas plantações de laranja e limão

08 de abril | 2010

Citricultores estão em alerta devido às doenças fúngicas


As fortes chuvas desse ano estão deixando citricultores da região preocupados.


O clima tem favorecido a maior ocorrência de doenças fúngicas nas plantações de laranja e limão.


Devido a essas doenças, os produtores têm uma queda na produção e uma qualidade menor do que a esperada, o que acaba aumentando o preço do produto ao consumidor.


Os cuidados por meio dos citricultores devem ser redobrados, para não deixar que as doenças acarretem na perda de toda a produção.


O engenheiro agrônomo Roberto Aparecido Ferreira conta que as duas doenças que mais atingem os pomares são as manchas pretas nos citrus e a também conhecida “estrelinha”. “Com as chuvas incessantes muitos citricultores deixam de pulverizar o pomar, acarretando ainda mais essas doenças”, conta.


Ferreira diz que em Catanduva, as doenças fúngicas têm aumentado bastante. “Essas ocorrências vêm de algum tempo, a perda na produção chega até 20% para a laranja e aproximadamente 30% para o limão”, afirma Ferreira.


Ele alerta que muitas vezes os agricultores não aplicam os fungicidas também pelo alto custo. “O monitoramento e a aplicação têm que começar desde o início da florada, só assim é possível controlar os ataques dos fungos às plantações”, diz Ferreira.


Greening Outra doença que também ataca muito as plantações é o famoso greening. Segundo dados do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), o calor, umidade e chuvas aumentam as brotações fora de época e criam o ambiente propício para a reprodução do psílideo Diaphorina citri, transmissor da bactéria.


Apesar de pequeno, em média 2 a 3 mm, ele provoca grandes estragos. Quando o psilídeo se alimenta de plantas doentes, ele adquire a bactéria e transmite-a até o final de sua vida para plantas sadias.


O pesquisador do Fundecitrus, Pedro Yamamoto, alerta que é hora de intensificar o monitoramento nas propriedades. “As inspeções devem ser constantes e, assim que detectado o inseto, o controle deve ser realizado”, finaliza.


Como controlar o inseto Algumas ações podem contribuir para o controle do inseto no pomar.


As principais são as armadilhas adesivas verdes ou amarelas, colocadas nas bordas das propriedades e talhões distribuídas a cada 100 metros.


As inspeções são fundamentais para encontrar os insetos.


Os adultos costumam ficar na face inferior da folha.


Caso haja brotações, é necessário checar a existência de ovos e ninfas, local onde os ovos são postos e as ninfas se desenvolvem.


O ideal é fazer inspeções semanais e monitorar 1% das plantas de cada talhão, analisando, pelo menos, três brotações de cada planta.


Caso o citricultor encontre o inseto, é necessário fazer a pulverização com inseticidas de contato.


Os produtos químicos usados devem ser trocados de tempos em tempos para evitar o aparecimento de psilídeos resistentes.


 Conheça as doenças mais comuns Mancha preta dos citros:


Ataca principalmente os frutos, tornando-os inaceitáveis para o comercio de fruta fresca. Pode atacar também as folhas e ramos, onde causa uma pequena mancha de cor cinza-escuro.


São nos frutos que os sintomas são mais visíveis, causando manchas necróticas deprimidas, com bordas pretas e centro mais claro, variando de tamanho desde pequeninas pintas escuras até lesões de 1 centímetro de diâmetro.


O fungo afeta todas as variedades de citros, exceto a lima ácida Tahiti.


Existem algumas variedades com maior susceptibilidade como é o caso dos limões verdadeiros Siciliano e Eureca.


O controle da mancha preta dos citros recomendado passa pela prevenção, utilização de práticas culturais e até controle químico com uso de fungicidas.


Estrelinha ou queda de frutos jovens A doença é causada pelo fungo Colletotrichum acutatum que infecta os tecidos de flores e frutos jovens, provocando a queda prematura desses frutos.


Em flores infectadas, os primeiros sintomas aparecem, nas pétalas.


Após o florescimento, os frutinhos recém formados amarelecem, destacam-se da base do pedúnculo e caem.


Os cálices continuam crescendo, transformando-se numa estrutura dilatada, com as sépalas salientes, semelhantes a estrelas, daí a denominação da doença de “estrelinha”.


Depois de cair, os frutos afetados pela doença permanecem desenvolvendo-se deformados, e pequenos, menores que 1 cm de diâmetro.


Fonte: O Regional