08 de janeiro | 2010
Por: Flávio Viegas
A massa de ar frio que provocou intensas nevascas no norte do EUA chegou à Flórida e provocou uma intensa queda de temperatura, que está causando importantes prejuízos para a agricultura.
A previsão é de que as temperaturas deverão cair ainda mais no final da semana e causar perdas importantes para a citricultura, reduzindo ainda mais a safra que estava estimada em 136 milhões de caixas, 16% menor que a safra anterior.
Em vários pontos da região citrícola da Flórida a temperatura caiu abaixo de -2 C por um período superior a 3h, condição necessária para provocar o congelamento da laranja. Se estas condições forem atingidas nos próximos dias, os prejuízos para os citricultores serão grandes porque cerca de 80% da safra ainda está nas árvores.
A partir de outubro, quando foi publicada a previsão da safra de laranjas 2009/10 da Flórida, o valor do suco na bolsa de NY já subiu mais de 50% e o preço recebido pelos citricultores da Flórida deverá acompanhar a cotação da bolsa.
No Brasil era de se esperar que o risco de grande quebra de safra na Flórida, associado a uma expectativa de quebra na safra brasileira, devido ao excesso de chuvas e à falta de tratos culturais decorrentes dos baixos preços da laranja, deveria provocar na indústria uma intensa movimentação no sentido de antecipar as compras para assegurar o suprimento de matéria-prima e se antecipar ao aumento de preços. Porém o que vemos, devido à verticalização, à falta de concorrência, à divisão dos produtores entre as três empresas do setor, as processadoras não demonstram nenhuma urgência em fechar os contratos.
O que antecipamos é uma repetição do que vimos após os furacões de 2004 e 2005, quando os produtores sem contrato se beneficiaram temporariamente de bons preços, mas a maioria dos citricultores, presos aos contratos com preços que não cobrem 50% do custo de produção, foi obrigada a cumpri-los integralmente. Mais uma vez os ganhos ficarão com a indústria.
No dia 24 vamos comemorar o quarto aniversário da Operação Fanta, pouco depois do deslacramento dos documentos apreendidos na Citrovita, realizado no dia 8 na SDE em Brasília.
Isto decorre da fragilidade de nossas instituições, algumas falhas e outras corruptas, que asseguram todos os direitos aos detentores do poder político e econômico e nenhum direito às vitimas.
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