05 de fevereiro | 2010
Por: Flávio Viegas
Hoje, mais uma vez, o Estadão publica um editorial a respeito do caso da invasão do MST a uma das fazendas do Cutrale.
Eu, como muitos citricultores, tenho me defrontado tanto com o MST, que está acampado nas proximidades da minha fazenda há mais de uma década, como com o Cutrale de quem o meu setor é refém e posso assegurar que o poder destrutivo do “com terra” Cutrale é muito superior ao dos “sem terra” do MST.
O acampamento dos sem terra, que disputam a fazenda vizinha, causa desvalorização da minha propriedade, interfere no acesso por estarem acampados ao longo da estrada, aumentando o risco de acidentes e obrigando à redução de velocidade, causa aborrecimentos com furtos de laranjas e com um “sem terra” que criava gado no corredor e que cortava a cerca da minha propriedade para colocar o gado para pastar no meu pomar danificando-o. Esses aborrecimentos são um bálsamo diante dos problemas enfrentados na nossa relação com o Cutrale.
Acabo de entregar minha safra de laranjas- cuja produção por caixa me custou mais de R$17,00- por R$5,50 a caixa, dos quais R$3,50 foram gastos em colheita e transporte, restando para mim R$2,00 por caixa que produz 20 litros de suco. Esta situação, que se vem agravando ano a ano, já provocou a perda de 90% do meu pomar.
A política predatória que vem sendo praticada há mais de quinze anos pelo pequeno grupo de empresas lideradas pelo Cutrale e que desde 1994 vêm sendo investigadas por atuação cartelizada, provocou a expulsão de cerca de 20 mil citricultores do setor e “transferiu” cerca de 90 milhões de árvores desses citricultores para as indústrias, um prejuízo de US$1,8 bilhão de dólares só em árvores destruídas, aumentando ainda mais o seu poder destrutivo. Diante dessa enormidade, a destruição de 7 mil pés de laranja não nos comove, embora não deva ser desprezada.
Toda essa destruição praticada pelo oligopsônio (cartel?) vem sendo praticada sob o olhar complacente das nossas instituições e principalmente de parte da mídia.
Flávio de Carvalho Pinto Viegas- código de assinante 00325970-6
Presidente da Associtrus-
Associação Brasileira de Citricultores
Rua Cel. Conrado Caldeira 391
CEP 14701-000 Bebedouro-SP
P.S.
Espero que o Estadão, que tanto se tem destacado a favor da liberdade de opinião e contra a censura, dê a esta manifestação, o destaque que a questão Cutrale-MST tem merecido do jornal.