01 de outubro | 2010
O presidente da Citrus BR declarou que o consecitrus é a prioridade da indústria, sem explicar porque, depois de mais de dez anos negando-se a discutir o assunto, as esmagadoras passaram a defender a urgência da implantação de um “consecitrus” que ao que tudo indica seria a recriação do “contrato padrão”, com todos os seus defeitos.
Embora o Consecitrus defendido pela Associtrus não se limite a um mecanismo de precificação da laranja, porém este é o ponto mais importante para a maioria dos citricultores.
Insistimos que a determinação do preço da laranja parta do preço do suco na gôndola do supermercado e que este seja trazido para o valor FOB Santos e que este valor seja repartido entre indústria e citricultores proporcionalmente aos custos e aos riscos incorridos por cada uma das partes.
As dificuldades para levantar os custos e índices para a determinação dos valores são conhecidas e exige a participação uma equipe altamente capacitada e isenta que necessitará de vários meses para a realização do trabalho.
Embora tenhamos discutido o assunto e a indústria tenha inclusive citado um provável executor do projeto, nenhuma instituição foi contratada até o momento.
Um outro problema de difícil solução é a representação dos produtores no conselho a ser formado. A FAESP apresenta enormes divisões internas quando se trata do assunto, como já comentamos anteriormente. A Sociedade Rural Brasileira enfraqueceu sua posição ao aceitar a CitrusBR em seu quadro associativo e submeter-se às suas imposições.
Os problemas apontados mostram claramente a dificuldade de avançarmos na proposta de um verdadeiro Consecitrus que assegure ao produtor uma nova forma de relacionamento com a indústria, de longo prazo, com transparência e segurança, e uma participação justa na renda da nossa cadeia produtiva.
Não podemos deixar de enfatizar que o Consecitrus não terá nenhum sentido para a maioria dos citricultores se não for equacionado o problema da dívida acumulada nas últimas décadas.
Continuamos a participar das reuniões na esperança de que a negociação tome outro rumo e passe a tratar de forma séria e honesta os interesses dos citricultores. O primeiro passo deverá ser a definição da equipe técnica que deverá desenvolver a proposta para o Consecitrus.